O Clã Curinga floresceu em 2015, um Ano
de Copas, cheio de dias inspirados, onde a poesia das horas pedia ao menos uma
tradução semanal!
Então veio um duplo Dia Do Curinga,
anunciando o começo de um Ano de Espadas. "Feche a tela e vai viver".
Foi o que fiz ao escrever e desligar a tela: pedalei 300 km e, depois de todo
este suor, preparei-me para a aridez da luta seca que o tempo de espadas
exigiria.
Silenciei eu, silenciou a Dama-Curinga,
silenciou a Pequena Clown...
As palavras pediram colo. Nós mesmos,
criadores destes ordenamentos de palavras aqui, muitas vezes precisamos também
de colo. Silenciamos chorando. Muito. Mas também silenciamos gargalhando!
Ouviu-se alguma dessas gargalhadas aqui no Clã? Não! Silêncio! Ainda que
gritando... Não se ouviu mesmo? Nunca ouviram as guitarras distorcidas do
silêncio, aquelas mesmas de que nos falou certa vez a Pequena Clown?
E foi ela quem não suportou calar! Sem
aviso prévio veio aqui e gritou em inglês! Fez o que é uma de suas marcas, “pinkfloydiou”
nos nossos ouvidos, arrancou sorrisos e decretou: não é mais tempo de dar (ou
pedir) colo! É tempo de decolar! E mais - tempo de voar para a ilha mais pinkfloydiana
do mundo! Ela foi, levou-nos junto. Mas nós ficamos, e ela também ficou! Não há
a menor sombra de adeus! O Clã é um clã! Em clãs, seus membros estão sempre
unidos. Aqui neste clã, desde sua origem (em três cidades diferentes), o
convívio é sensorial e intenso. Dispensa Wi-Fi! Sim, o Clã decolou. O Clã está
de volta!!! Sem a métrica pulsante de Copas (um post por semana), mas com muita
vontade de traduzir aqui a poesia dos dias sempre que ela pedir e/ou possuir
uma tradução.
"Tempo
de dar colo
Tempo
de decolar.
O
que há é o que é
E o
que será
Nasss...Será?
Nascerá..."
(parte 1, Jeferson / parte 2 [abaixo], Andréa)
Reinventamos as palavras porque o
silêncio fez a sua parte. A arte nos mostra que há ainda vida aqui dentro, no
Clã.
O acaso nos apresentou num daqueles
dias de 2004.
O acaso nos trouxe de volta nos dias de
2015.
Fizemos do Clã a nossa casa. Nosso
Porto. Nosso lugar de voltar quando fosse preciso.
Nos reciclamos. Batemos asas.
Reescrevemos as memórias. Tivemos epifanias de sense8. Estamos na onda do
sense8.
Aprendemos a dançar no caos, com
correntes e no escuro. "Do ruidoso sarau entre os festejos"
convidamos o silêncio para dançar. Entre as cortes desse tempo todo, aprendemos
a cortejar a solidão e convida-la para ver o por do sol...
Agora, chegou a hora, não é?
A hora de voltar pra casa.
Temos as chaves dessa casa que é de
três. Dessa vida compartilhada a três.
Das cartas que construíram a nossa Casa-Clã!
Um Curinga foi perambular no outro lado
do mundo! "Boas lonjuras, Alice" foi o que dissemos pra ela! Mas, a
vida é tão grande pra despedidas! E tão curta pra ser previsível!
Estamos com ela onde quer que esteja!
Ela está conosco aqui, agora, em todos
os momentos!
E a Casa-Clã tornou -se abraço-casa à
espera de mais um encontro, mais um abraço, mais uma lua juntos. E, ainda que a
distância prevaleça, estamos aqui!
A essência permanece!
Chegou a hora de voltar!
"Reciclar
a palavra, o telhado e o porão
Reinventar
tantas outras notas musicais
Escrever
um pretexto, um prefácio e um refrão
Ser
essência muito mais!
Ser
essência muito mais!
A
porta aberta, o porto , acaso, o caos, o
cais..."
(...
– O Teatro Mágico)