quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Tempo de Decolar!

        O Clã Curinga floresceu em 2015, um Ano de Copas, cheio de dias inspirados, onde a poesia das horas pedia ao menos uma tradução semanal!
        Então veio um duplo Dia Do Curinga, anunciando o começo de um Ano de Espadas. "Feche a tela e vai viver". Foi o que fiz ao escrever e desligar a tela: pedalei 300 km e, depois de todo este suor, preparei-me para a aridez da luta seca que o tempo de espadas exigiria.
        Silenciei eu, silenciou a Dama-Curinga, silenciou a Pequena Clown...
        As palavras pediram colo. Nós mesmos, criadores destes ordenamentos de palavras aqui, muitas vezes precisamos também de colo. Silenciamos chorando. Muito. Mas também silenciamos gargalhando! Ouviu-se alguma dessas gargalhadas aqui no Clã? Não! Silêncio! Ainda que gritando... Não se ouviu mesmo? Nunca ouviram as guitarras distorcidas do silêncio, aquelas mesmas de que nos falou certa vez a Pequena Clown?
        E foi ela quem não suportou calar! Sem aviso prévio veio aqui e gritou em inglês! Fez o que é uma de suas marcas, “pinkfloydiou” nos nossos ouvidos, arrancou sorrisos e decretou: não é mais tempo de dar (ou pedir) colo! É tempo de decolar! E mais - tempo de voar para a ilha mais pinkfloydiana do mundo! Ela foi, levou-nos junto. Mas nós ficamos, e ela também ficou! Não há a menor sombra de adeus! O Clã é um clã! Em clãs, seus membros estão sempre unidos. Aqui neste clã, desde sua origem (em três cidades diferentes), o convívio é sensorial e intenso. Dispensa Wi-Fi! Sim, o Clã decolou. O Clã está de volta!!! Sem a métrica pulsante de Copas (um post por semana), mas com muita vontade de traduzir aqui a poesia dos dias sempre que ela pedir e/ou possuir uma tradução.

"Tempo de dar colo
Tempo de decolar.
O que há é o que é
E o que será
Nasss...Será?

Nascerá..."

(parte 1, Jeferson / parte 2 [abaixo], Andréa)

         Reinventamos as palavras porque o silêncio fez a sua parte. A arte nos mostra que há ainda vida aqui dentro, no Clã.
        O acaso nos apresentou num daqueles dias de 2004.
        O acaso nos trouxe de volta nos dias de 2015.
        Fizemos do Clã a nossa casa. Nosso Porto. Nosso lugar de voltar quando fosse preciso.
        Nos reciclamos. Batemos asas. Reescrevemos as memórias. Tivemos epifanias de sense8. Estamos na onda do sense8.
        Aprendemos a dançar no caos, com correntes e no escuro. "Do ruidoso sarau entre os festejos" convidamos o silêncio para dançar. Entre as cortes desse tempo todo, aprendemos a cortejar a solidão e convida-la para ver o por do sol...
        Agora, chegou a hora, não é?
        A hora de voltar pra casa.
        Temos as chaves dessa casa que é de três. Dessa vida compartilhada a três.
        Das cartas que construíram a nossa Casa-Clã!
        Um Curinga foi perambular no outro lado do mundo! "Boas lonjuras, Alice" foi o que dissemos pra ela! Mas, a vida é tão grande pra despedidas! E tão curta pra ser previsível!
        Estamos com ela onde quer que esteja!
        Ela está conosco aqui, agora, em todos os momentos!
        E a Casa-Clã tornou -se abraço-casa à espera de mais um encontro, mais um abraço, mais uma lua juntos. E, ainda que a distância prevaleça, estamos aqui!
        A essência permanece!
        Chegou a hora de voltar!

"Reciclar a palavra, o telhado e o porão
Reinventar tantas outras notas musicais
Escrever um pretexto, um prefácio e um refrão
Ser essência muito mais!
Ser essência muito mais!
A porta aberta, o porto , acaso, o caos,  o cais..."
(... – O Teatro Mágico)


5 comentários:

  1. https://jockerclown.blogspot.co.uk/2017/09/diario-de-bordo-001-navigare-necesse.html

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  2. Bom, meus amigos-irmãos... as palavras são ingratas quando tudo o que sentimos é impossível de expressar com rimas e prosa. Acredito que até o maior dos poetas deve se sentir meio impotente diante de algumas circunstâncias. Mas a gente é teimoso e tenta! Então lá vai.

    Vim perambular pelo mundo porque chegou uma hora que esse impulso falou mais alto em mim, e, bom, a oportunidade tava ali, batendo à porta. Talvez o tempo me traga alguns nós na garganta de angústia e saudade nesse caminho de desbravamento que escolhi. Mas isso tudo faz parte e só nos fortalece.

    Eu sei que todo ser humano é uma ilha, mas toda ilha tem alguma raiz, e vocês são o que me fortalece diante de um mar bravio que possa querer me inundar.

    Acho que a gente sabe que ta fazendo a coisa certa quando sorri para a insustentável leveza dos dias - "é preciso imaginar Sísifo feliz", não é o que disse um desses malucos?

    Eu complemento a saga dessa mitologia citando um provérbio em inglês, que na verdade deu nome a um dos nossos ritmos preferidos: pedra que rola não cria limo. E não tem muito mais mistério e nem romantismo escondido nas minhas palavras ou na minha felicidade de estar aqui - to rolando por aí, debaixo desse céu que nos abriga e nos torna uma coisa só, poeirinhas da poeira.

    Gratidão! Como diz a Dama-Curinga. Vocês vão comigo onde eu for... Inté+v!

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  3. Nem o maior dos poetas conseguiu reproduzir sequer uma brisa!
    Ah, mas como as palavras nos ajudam a olhar de novo, sentir de novo, fazer de tudo novo, novidade...
    Estamos juntos nessa loucura e, ainda que não queiramos, não há como fugir das perambulações, se até o sol se move arrastando todo o sistema solar, dentro de uma galáxia que se move, num universo em expansão... Perambular é a única coisa que há! Ao gosto de Heráclito, está bem aí na nossa cara: "Não vejo nada além do vir-a-ser..."!
    Estamos juntos!!!

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  4. Nada além de sentir essa energia positiva dos últimos tempos com vcs....

    É o que eu tenho feito todos os dias, em toda leitura que me lembra o Clã, nos arranjos musicais com violões alheios que ando arranhando.
    E essa coisa toda que sentimos, toda essa energia que acreditamos ultrapassar fronteiras afasta todo absurdo dos dias, da rotina, do (in)certo.
    Aqui, aí, lá...todos os lugares que estiverem, estarei também. Estarei junto. Sempre.

    Que o infinito da vida tome conta de tudo que nos resta!

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