quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

#1 - ÁS DE ESPADAS: Um Soldado passou pedalando pela estrada

Não era exatamente um soldado, mas exibia com orgulho seu uniforme utilizado outrora, quando pertencera ao Tiro de Guerra do serviço obrigatório do Exército brasileiro. Era um ex-soldado que pedalava por estradas, ruas e rodovias, ao som de seus "herois que morreram de overdose" antes mesmo de presenciarem o fim de suas lutas maiores - hoje relembradas por este Aedo homérico com alma de menino; menino cujos sonhos são a forma maior de expressão do seu hedonismo, e, quiçá, sua profissão.

Não era um simples estudante do curso de História da Universidade Estadual de Londrina. Era um poeta cuja plêiade encontraria naquele lugar. Um poeta que, das duras pedaladas até a sala de aula e dos dias de infantaria, traria a fúria tão somente nas palavras e nas rimas - estas, sim, que fizeram História no sentido científico mais poético da expressão. 

Há os que digam que, numa de suas aparições, lá se instalou o caos. Há, porém, os que crêem, assim como eu, que as cartas finalmente foram colocadas na mesa, doendo a quem doesse - sim, Quintana, quem faz sentido é soldado! - regado ao som do melhor rock 'n roll-baiano-poético-nietzscheano!

Não, não se tratam de contradições. Todo poeta vive, afinal, dentro de um jogo de opostos, que dá corda às engrenagens do tempo. Mas sobrevive a elas graças a uma astúcia milenar - a da escrita.

Há dez anos as engrenagens do tempo conspiraram para que o nascimento de um clã se fizesse possível. Um encontro jamais imaginado, cujo futuro era nada mais do que incertezas. Porém, laços maiores fortaleceram uma irmandade inimaginável, que somente versos poderiam expressar.

Há pouco mais de dois anos, essa mesma engrenagem quase conseguiu nos engolir - sem sucesso. Hoje, um Dia do Curinga, aniversário desse meu amigo-irmão tão distante e tão presente em minha vida, tenho como comemorar apenas utilizando como presente um subterfúgio cibernético que pretendo que nos una em rimas ao menos por mais um ano - este Clã Curinga, um sonho pintado por ele, que hoje vai ao ar.

Que venham mais 51 posts! Em sua homenagem, com um "vale-abraço" pra breve:


Revisitâncias

Poeta, curinga do tempo,
declama tua rima insana
e subverta os versos homéricos,
louco Aedo!

Travestido de bobo,
sopra vida aos necessitados
ao uivo dançante do vento!

... pois, no ritmo, tu vens a ser...

... e resistes pois existes,
e pensas por ser logo,
e danças pois não te cansas...

... e escreves porque amas,
e finges porque sentes,

e devoras,
enquanto ignoras,
o porvir
e o outrora...

no teu agora,
diariamente.

(Por Tim Gonçalez)

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