quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

#9 - NOVE DE ESPADAS - Desculpas: acreditava ter visto coisas onde outras pessoas não viam...

Pela primeira vez no ano, publico com alguns minutos de atraso. O peso da rotina me impediu, desta vez, de deixar um texto salvo e pre-publicado, como rascunho, motivo pelo qual inicio com um pedido de desculpas.

Estou atrasada, aliás, por uma desculpa. 

O estado do Paraná se tornou, essa semana, palco de manifestações de funcionários públicos legitimamente indignados devido a arbitrariedades contra seus direitos adquiridos. Em alguns casos, tratam-se ainda de direitos básicos ligados à própria subsistência.

Não obstante os descasos costumeiros da política pública básica voltada aos pilares das necessidades da sociedade - educação, segurança e saúde - vê-se claramente diversas tentativas e manobras ardis no intuito de quebrar-se o estado, ignorando-se o bem comum, em prol de imediatismos de projetos políticos mal formulados.

Há, contudo, detalhes que não são tão claros assim. Pela primeira vez em anos, os braços da única violência legítima - a do Estado - encontram-se do lado dito mais fraco do cabo de guerra. E, o único recado que vim dar esta noite, é este: se me tentam calar, passo então a agir...

"Se tu falas muitas palavras sutis
Se gostas de senhas sussurros ardís
A lei tem ouvidos pra te delatar
Nas pedras do teu próprio lar..."
(Chico Buarque - HINO DE DURAN)

Uma desculpa me impediu de publicar um texto mais poético e no horário costumeiro no dia de hoje (pelo horário, dia de ontem). Uma outra desculpa talvez tenha impedido que uma tragédia acontecesse esta noite. Por ter visto adiante, mesmo contrariada por todos, pedidos de desculpas talvez tenham sido a chave para que tudo desse certo - sacrificando, infelizmente, esta publicação em sua forma pretendida.

Mas, a virtude do Curinga é também uma responsabilidade... E sair pela esquerda talvez faça a sorte do leão da montanha. Hoje fui a prova viva disso tudo.

"... Nem de paus, nem de ouros, nem de copas, nem de espadas [...] É um caso a parte; uma carta sem relação com as outras. Ele está no mesmo monte das outras cartas, mas aquele não é o seu lugar. Por isso pode ser separado do monte sem que ninguém sinta falta dele." 
(Nove de Espadas - O dia do Curinga)

E se ficou muito mal explicado - desculpe-me! Mas garanto: nem mesmo soldado tem feito sentido...

3 comentários:

  1. Talvez, nestes momentos obscuros, onde nem sedados fazem sentido, perdoe-me o termo: talvez nestes momentos a poesia não seja mesmo adequada!
    E já que não faz sentido aos soldados, posso me dar o direito de dizer que, pra mim, faz todo sentido...
    Só espero não ser pregado de jalec numa cruz
    E se definitivamente a sociedade
    só te tem desprezo e horror
    "E mesmo nas galeras és nocivo,
    és um estorvo, és um tumor
    A lei fecha o livro, te pregam na cruz
    depois chamam os urubus

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  2. Putz, o iPhone não colaborou no comentário acima, por isso, desculpe a falta de pontuação e edição disso...
    Hahaha
    Grande Abraço!

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  3. Elogio da Dialética

    A injustiça passeia pelas ruas com passos seguros.
    Os dominadores se estabelecem por dez mil anos.
    Só a força os garante.
    Tudo ficará como está.
    Nenhuma voz se levanta além da voz dos dominadores.
    No mercado da exploração se diz em voz alta:
    Agora acaba de começar:
    E entre os oprimidos muitos dizem:
    Não se realizará jamais o que queremos!
    O que ainda vive não diga: jamais!
    O seguro não é seguro. Como está não ficará.
    Quando os dominadores falarem
    falarão também os dominados.
    Quem se atreve a dizer: jamais?
    De quem depende a continuação desse domínio?
    De quem depende a sua destruição?
    Igualmente de nós.
    Os caídos que se levantem!
    Os que estão perdidos que lutem!
    Quem reconhece a situação como pode calar-se?
    Os vencidos de agora serão os vencedores de amanhã.
    E o "hoje" nascerá do "jamais".


    Bertolt Brecht

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