quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

#53 – Dia do Curinga – Amor Fati Blues.

“– Feliz Curinga! E um Feliz Ano Novo!
Nesse momento, o pequeno bobo da corte ergueu o braço fazendo tilintar os guizos e exclamou:
– Não é apenas um ano que passou! O dia de hoje marca o fim de um longo jogo... Daqui pra frente, o futuro está sob o signo do Curinga. Muitas felicidades, irmão Curinga. O resto eu conto depois...” (O Dia do Curinga – Jostein Gaarder)

“Para o Ano Novo - Eu ainda vivo, eu ainda penso: ainda tenho de viver, pois ainda tenho de pensar. Sum, ergo cogito: cogito, ergo sum [Eu sou, portanto penso: eu penso, portanto sou]. Hoje, cada um se permite expressar o seu mais caro desejo e pensamento: também eu, então, quero dizer o que desejo para mim mesmo e que pensamento, este ano, me veio primeiramente ao coração – que pensamento deverá ser para mim razão, garantia e doçura de toda a vida que me resta! Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: – assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. Amor fati [amor ao destino]: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!” (Nietzsche - Gaia Ciência, aforismo 276)


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

#52 – REI DE COPAS – Sobrevivam apenas lembranças cheias de vida...

Os outros três reis do baralho procuraram o rei de copas pra se queixar. Em espadas, concluiu-se com citação que dá de ombros para o poder e suas leis, e, pior, afirma categoricamente que “não interessa o que diz o rei”. Em paus, ao invés de louvar ao poder e a força, ficaram rastros de peso e fraqueza. Em ouros, desprezou-se o metal precioso em favor do valor da vida que quase se desfez em um acidente. E ainda foi colocado que o coração valia mais que a cifra. Foi o próprio rei de copas quem me contou. Em um misto de benevolência e autoridade, com uma espada em uma das mãos e uma cruz em outra, me pediu pra redimir um pouco a imagem dos reis aqui, agora.

Carlos Magno - O Rei de Copas          

Mas os reis, enquanto reis, não tem mesmo muito a me dizer. Seu poder, sua benevolência ou sua tirania não me interessam. Mas se o jogo sujo do poder não me interessa, tenho por isso que odiar um rei como pessoa? Talvez, até mesmo o rei tenha um coração. Talvez o rei também tenha sensibilidade pra, como eu, tocar um instrumento e compor uma canção. Talvez, por baixo da capa e da coroa haja alguém como eu e você. Alguém cheio de dúvidas e que também fica confuso:

"…Well, it goes like this: the fourth, the fifth
The minor fall and the major lift
The baffled king composing Hallelujah..."
(Hallelujah - Jeff Buckley)

Viver é uma questão de ponto-de-vista. Acho que foi a tecla em que mais batemos aqui no Clã. Mudar a perspectiva é um ato revolucionário. Em tempos de instabilidade política, ter a coragem de ignorar a política é uma virtude. Não é que as decisões que os políticos tomam não nos afetam. É que isso é muito pequeno diante do esplendor de vida que se revela aos nossos olhos a cada nascer do sol. Se vou comer em um banquete de restaurante caro, ou se vou achar comida na lata do lixo de uma lanchonete barata, são variáveis muito pequenas diante do valor de um coração que vive e pulsa em nosso peito. Pobre do rei, disse uma vez Raul Seixas. Está condenado a comandar seu povo. Está a mercê de chacotas e ódio de todos os que estão obrigados a se curvar perante si. Pobre rei que pensa governar os homens, mas, como todos nós, está a mercê do reinado do tempo, onde é preciso esperar o momento oportuno pra assistir o pôr-do-sol ou sentir os pingos de chuva. Não vou brigar e nem discutir por cauda de politica. Aos políticos faço apenas uma exigência, aprendida do grego Diógenes – que não tapem o meu sol!
Como rei e comandante do exército que sou eu, decreto agora que sempre haja uma voz pra me lembrar que É HOJE! A vida não tem hora marcada pra ocorrer, ela é sempre agora! Decreto também não me sejam negados a luz, os sons, aromas, sabores e texturas e que, em nome de meus sonhos, minha tropa ataque tudo aquilo que me desfigure e que me afaste daquilo que sou. Decreto que a poesia dos dias valham mais que as lembranças, entretanto, não torno crimes as lembranças, na medida em que elas sejam agradáveis contornos para os dias. Sobrevivam apenas lembranças cheias de vida. E que fique registrado no meu Código Vivíl que, o que vier, seja bom demais, dolorido demais, ou ambas as coisas, seja abraçado com o amor de quem aceita, deseja e procura seu destino. Tudo valerá a pena, basta que apenas que seja sincero e venha do coração.
Como último ato de meu pronunciamento, deixo duas pegadas de vida - uma na boa lembrança de minha ex-professora Sônia Sperandio Adum, que, há algumas horas deixou de viver. Outra no desejo de muita saúde, alegria e força ao meu ex-aluno Maycon Andrey, a quem encaminho uma cópia de meu livro preferido, "O Dia do Curinga".
Obrigado Maycon, tuas palavras (ainda no primeiro naipe, na semana 8 de Espadas) foram inspiradoras e acabaram por rasgar o aparente véu de desértica solidão que pairava sobre o Clã Curinga! Tu foi a nossa maior prova de que, do outro lado das frias palavras digitadas, havia vida!
A todos os que por aqui passaram e que ainda passarão, faço votos de coragem pra correr riscos e seguir aos instintos do CORAÇÃO. Instintos do último naipe da paciência. O naipe da primavera. O naipe que fecha um ciclo iniciado em 2012. Mas o ano de copas ainda não acabou - esta última semana prepara o duplo “Dia do Curinga”, que ocorre a cada quatro anos e, depois de si, traz a tona o início de mais um ciclo em um novo ano de espadas.

“Tudo é questão de obedecer ao instinto.
Que o coração ensina a ter, ensina a ter.
Correr o risco, apostar num sonho de amor.

O resto é sorte e azar.

Tudo é questão de não se negar nada.
A nenhuma força que dê luz, que dê luz.
Seja de Deus ou do Diabo se for claro.
É só pagar pra ver, é só pagar pra ver.

E se por acaso, doer demais.
É porque valeu.

E se por acaso, for bom demais.
É porque valeu.”
(Sorte e Azar – Barão Vermelho)


sábado, 5 de dezembro de 2015

Sempre um renascer poético em copas...

No dia do curinga do ano de copas que antecedeu a este, o sol revelou ao amanhecer um típico dia de final de primavera – sol, céu azul e coração aquecido. Tudo estava combinado para o churrasco de comemoração ao cair da noite.
Aquele ano de copas foi repleto de paradoxos: euforia em conseguir ingressar em uma pós-graduação que sonhava e frustração por perder uma oportunidade de trabalho por conta de um erro burocrático. Alegria pelo nascimento de minha pequena curinguinha Clara e apreensão por conta de um problema no esôfago que a colocou na mesa de cirurgia em seu segundo dia de vida. Presenças inusitadas em minha vida e ausências inexplicáveis...
Toda aquela intensidade ganhou um espaço de canalização – um espaço onde uma grande amiga assumia seu lado “Joker” e colocava-se inteira em prosa e poesia. Que ideia! Rapidamente pedi que ela me ajudasse a criar também um blog. Assim surgiu o “Trágica Mente Falando”. Na sequencia, a Andrea criou seu blog “Desconhecido”. Estava armado o circo. Com os três habitando a mesma cidade, depois de um bom tempo, proporcionamos uma espécie de renascimento do ano de 2007 (o último da graduação). Naquela ocasião, também era ano de copas e, as vésperas do Dia do Curinga estávamos eu, ela, a dama curinga e outros amigos na sala de aula, em uma das últimas aulas do curso, esperando que o curinga aparecesse com seus guizos porta adentro antes da aula de filosofia em que apresentaríamos o mágico calendário de Frode. A presença do pequeno anão de mãos frias podia ser sentida ali... Mas não o vi...
Mas voltando a 2011, foram frequentes encontros regados a chimarrão, vinho, violão, filosofia, poesia... A poesia dos dias era tão intensa, que sempre havia motivos pra esculpir textos em monumento a tudo aquilo que vivíamos... Nossa presença poético-virtual era tão incisiva que, certa vez, por conta nas nossas fotos de perfil com imagens de curinga, Carloz Maltz, baterista fundador dos “Engenheiros do Hawaii”, se referiu a nós no twitter como “Clã Pierrot”... a reação da Tim foi “Clã Pierrot, nada – Clã Curinga!”...
Mas aquele ano de paradoxos, que começou tenso e se tornou o mais espetacular dos anos, guardava em seu ultimo ato, uma dose cavalar de dor. Algo que gritava aos ouvidos palavras de Mário Quintana na voz do Fernando Anitelli: “a felicidade bestializa, só o sofrimento humaniza as pessoas...”.
O dia lindo que amanheceu naquele dia do Curinga e no primeiro parágrafo deste texto, terminaria na UTI pediátrica de um hospital. Meu pequeno curinga, depois de uma intensa gripe insistente, teve uma hemorragia interna e, ao ser examinado, constatou-se o pior – sua imunidade atingira níveis alarmantes. Foram horas com ele ardendo em febre e refletindo nos olhos uma dor que ia consumindo sua frágil vida... Ao invés de música e festa, o final do dia foi ouvindo seus gritos de dor quando os médicos colocavam nele a sonda dentro da UTI. Não posso mais passar por aquele corredor do hospital sem que as lágrimas me venham aos olhos... Depois de viver o pior dia da minha vida, precisei sair do hospital. A UTI não podia ter acompanhantes, mas, no caso dele, foi permitido a presença da mãe.
Bem perto dali, a Tim, sua mãe e nossa amiga Eliane, esperavam notícias. Elas queriam me homenagear com dois mimos de aniversário – um cabo de instrumento de alta qualidade (que uso até hoje), e um livro de um autor que se tornaria uma referencia pra mim – Alberto Caeiro. Mas o mais comovente do livro, sem dúvida é a dedicatória:

  
Foram as únicas pessoas que pude ver naquele dia. Sai de lá com a firme intenção de não ver mais ninguém. Iria direto pra casa, pois, embora fosse meu aniversário, não havia motivos pra comemorar... Quando me despedi das amigas e dei partida no carro, ouvi um pequeno tilintar. Olhei na rua pra ver se havia algum papai noel de shopping perdido, mas não havia ninguém. Passei a lombada e o barulho foi mais forte, parecia estar dentro do carro. Olhei no retrovisor e tomei um susto. Um sujeito baixinho com um sorriso constante me encarava. Parei o carro e me virei pra traz – não havia nada... devia ser delírio por conta do dia pesado...
Quando coloquei o veiculo em movimento, uma voz aguda e sarcástica me disse:
- Cuidado com o ciclista, amanhã pode ser você! – E desviei de um ciclista que, de repente enxerguei na minha frente...
Antes que eu tivesse tempo pra me recobrar do susto e conferir de onde teria vindo aquela voz, ouvi-a novamente:
– Melhor continuar dirigindo e fingir que eu nem estou aqui. Não queremos machucar mais ninguém hoje, não é?
Olhei de lado e lá estava ele. Não havia duvidas! A mesma presença que senti naquele final de tarde no CCH em 2007, sentia agora – Era o Curinga! O mesmo que escapou da paciência mágica de Frode! Não consegui dizer nada além de:
– M...maaas... Co...Como?
– Ouça bem – disse ele – tenho aqui comigo um tesouro e uma missão! Esta ampulheta é mais uma prova da existência da ilha mágica e das cartas que pularam da cabeça de Frode. Esta ampulheta foi feita com madeira colhida na floresta pelas cartas de paus e o vidro soprado pelas anãs de ouros. Os anões de espadas modelaram a madeira e as de copas colocaram um pouco do trigo azul-turquesa que usavam em seus pães e envernizaram... você vai guarda-la até que chegue o momento certo! Antes que comece o ano de copas, vais escrever como um valete no final de um livro sobre sonhos. Semearás o “Clã Curinga” e ajudarás a fazê-lo crescer... Mas ouça bem, só será digna da ampulheta a pessoa que for pequena gigante!
Enquanto desviei por um segundo a atenção pra conferir um sinal de transito, já perto de minha casa, o pequeno clown desapareceu. Em cima do banco, estava a ampulheta que, segundo ele, foi feita pelas cartas de Frode:



 Jamais poderia imaginar que a destinatária da ampulheta estivesse tão perto. Mas foi a nossa dama curinga que, ao transgredir a ordem aqui no clã com um post alheio a qualquer carta, quem me revelou. Quem mais poderia ser tão grande e tão pequena a um só tempo?
A dama curinga mostrou que o clã poderá sobreviver ao final desta paciência... Talvez mais solto, sem a necessidade de um monumento a cada carta/semana... Talvez em melodia e versos... Talvez em silêncio... Deixemos que o vento nos mostre a direção...
O Clã Curinga existe antes mesmo de ser nomeado! Existe há quase 12 anos! Estamos na semana 12 de copas, há 12 dias do fim desta paciência... Se virada 4 vezes, a ampulheta tem duração de 13 minutos e 12 segundos. 13 são as cartas de cada naipe do baralho – uma pra cada mês no calendário do Clã. 12 são os meses convencionais e os ponteiros do relógio... são só números e coincidências em uma vida de números e coincidências...
Não vou usar os níveis de glucose do post anterior, evidentemente (hahahaha), mas deixo aqui as mais sinceras saudações à arquiteta que, a partir de uma simples ideia proposta com palavras de valete (ao contrario), fez surgir este lar virtual.

Faltam 12 minutos pro fim do seu dia - Feliz Aniversário Tim, nossa Pequena Grande Clown!!!

"...e 29 anjos me saudaram..."



Dia Tim.....! Passei um café, topa? Senta ai, preciso te dizer umas coisas...

Sabe qual foi a primeira coisa que pensei quando te conheci? O que que é que esse cisco de gente ta fazendo aqui?? (Maldade, eu sei .....mas não posso deixar essa passar! )

Essa pessoa foi (e ainda é!) de uma gentileza tão grande sempre, durante os anos da faculdade, que faria qualquer mortal mudar de opinião...

Ao longo do convívio, percebi que o gigante estava travestido de cisco, só pra não revelar seus verdadeiros segredos logo de cara. Uma vez, em uma das nossas conversas no quadradinho da UEL, vc me disse, com propriedade: “Só dou o melhor de mim a quem merece...” Hoje vejo que nem sei se merecia tanto, mas agradeço por me deixar conhecer o melhor de vc, a melhor pessoa, o coração gigante, o melhor humor negro, a melhor introdução de trabalho...e outros tantos melhores...



“Se alguém já te deu a mão e não pediu maus nada em troca
Pense bem, pois é um dia especial...” (Duca Leindecker)

E quando eu comecei a (como diria a minha vó) “andar” com vc e com o Jé...! Eu sempre pensava que a gente havia saído da música do Renato “Festa estranha com gente esquisita...”. Nós sempre fomos pontos fora do gráfico. E ainda somos. Entretanto, o mágico disso tudo é que ainda estamos! E hoje eu não imagino a minha vida sem vcs....

Ser a única sentimental, viadjinha e romântica do Clã é foda. Nunca sei se vcs entendem o que eu quero dizer e, quando sei,fica aquela sensação de “putz,,,,seja menos, Andréa....”. Mas eu não sei ser diferente. E eu não sei ter outra intimidade a não ser essa com vcs....E eu não sei amar nada diferente. Nada pela metade. E os dois são inteiros pra mim!

Acredito e encontros cósmicos. Ok, andei um pouco com a Flávia na UEL....(Flávia, se algum dia vc encontrar esse blog e ler esse post, saiba que te considero uma querida...e não é pejorativo....hahahah), mas o fato é que aprendi a acreditar, de um modo cristão a priori, em encontros e reencontros de almas durante as vidas. E quem me ensinou isso foi o meu pai. Ele dizia (com o copo de caipirinha do lado): “Baixinha....tem gente que já cruzou nosso caminho em alguma outra oportunidade....veja a sua mãe, por exemplo, não é possível que tanto amor seja pra uma vida só. Não cabe em uma só...”Olhando hoje pra foto de vcs dois, sei que essa parceria também não caberia numa vida só.....foi preciso muitas voltas em muitos planetinhas pra gente se encontrar nessa vida...



“Está em cima com o céu e o luar 
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está” (Nando Reis)

Por falar em seu Antonio, ele te admirava muito Curinga Tim! Hoje eu sei que ele sabia quem a gente era, nossas escolhas, os caminhos tortos e retos. E ele sempre dizia “A Cinthia é uma baixinha de valor....pessoas assim a gente não deixa ir embora nunca...” Hoje eu sei que o baixinha de valor nada mais é do que a Alice, quando o Chapeleiro diz pra ela “por que vc é sempre pequena demais ou grande demais?”
Por que vc é assim...? Creio que é pra sempre lembrar que a vida é pequena e grande demais....! A gente aprende com vc todos os dias....E a vida não seria a mesma sem essa pequena – grande mulher!

Por falar em mulher de valor, admiro sua coragem! Sério...não é pra muita gente isso ai não...

Coração com raízes no ar, cosmopolita, forte, firme até demais.... que só acredita em Deus se ele souber dançar...

No fim das contas, vc sempre acaba mostrando o caminho. E eu sempre acabo te ouvindo, porque vc manja dos paranauês...de muitos paranauês. Acho que a capital paranaense tem sorte de, todos os dias, te ver perambulando pelas ruas. E espero que seus amigos de lá saibam a grande sorte que tiveram em te encontrar. E espero que eles valorizem o que de melhor vc tem, porque seria um abuso ter vc por perto e não sacar que é um presente do Universo...


Por falar em fim....vou parar por aqui (antes que comece a subir formigas no seu celular de tanta melosidade...).

Eu quero que vc seja feliz! E que nada, nem ninguém te faça perder a fé na vida. E que teus sonhos se realizem logo. E que teus planos sejam pra te fazer feliz no hoje. O amanha a gente não sabe o que é...e a vida é muito curta pra não ser feliz agora, pra não comer a sobremesa antes, pra não se apaixonar todos os dias, pra não andar descalça na terra, pra não perder o fôlego, pra não ser Curinga....pra não ser exatamente quem vc é! E eu te admiro por ser quem vc é....por ser a baixinha de valor e o gigante todos os dias, Alice!


Felicidades! Nessa e nas outras vidas! E eu espero poder ter por perto o Jé e vc nas outras vidas! Seria um desperdício viver sem poder olhar nos olhos de vcs de vez em quando, e ver tanto brilho e tanta vida neles....e seria também um desperdício não me apaixonar por vcs dois sempre.....!

Vida longa! Beijo enorme! Saudades...!



sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

#51 - DAMA DE COPAS - "Tudo é tão maravilhoso e tão triste ao mesmotempo... "

O post dessa semana tem um Q de desafio,  um Q de alegria,  um Q  de despedida e,  por que não,  um Q de tristeza.  Ser Dama nesse jogo de cartas que é  a vida não requer singularidade. Os dois Curingas desse Clã ja disseram que a Dama é  plural,  se traveste de várias formas.  As emoções de hoje,  então,  não poderiam ser diferentes. A Dama de Copas pode ser muitas;  E,  mesmo que leve no RG o latim traduzido em R (não quero comentar sobre esse infortúnio... ),    a melhor definição pra ela  é  "a Dama do Clã". E  essa Dama é  só dele.

Peguei um atalho e sai do fluxo dessa vez. O meu último post em casa foi dividido em duas partes.  A primeira é  essa.  A segunda será publicada a partir da meia noite porque tenho um motivo mais que especial para fazê -lo!  Que os Curingas dessa casa me perdoem e que compartilhem  das mesmas emoções que eu.  Amém!

Dediquei um tempo essa semana à releitura  dos post do Clã.  Quantos tantos fazem parte de mim ali...! Tem sido um prazer dizer que estou em casa aqui.. e  confessar que espero toda semana poder ler cada Curinga nessas linhas do Clã.  É  um sentimento de pertencimento.  Daqueles que se sente com cada parte da alma.

"Todos meus tantos são teus
Todos enquantos... " (OTM)

Enquanto houver vida haverá encontros e despedidas,  reticências,  pausas,  vírgulas. Essa dinâmica de ir e vir nos deixa,  muitas vezes,  insensíveis ao caminho percorrido e crentes no destino a ser alcançado. Esquecemos de desligar o ar condionado do carro na Estrada e abrir a janela pra sentir o vento,  pra ver o velocímetro  traduzido nas faixas que quase desaparecem no asfalto.  Esquecemos de desligar o som do carro e ouvir a música da estrada. Esquecemos de desejar o caminho mais que o destino.

 A prosa tomou esse rumo porque eu,  cheia de tristeza e lamento,  não sabia como começar o meu texto sem expressar a falta  que esse Clã fará em minha vida. É  sério.. a primeira tentativa de texto não apresentava nenhum elemento de celebração. Mas,  ao reler as postagens,  cheguei à  conclusão que o caminho percorrido até aqui é  mais encantador do que o fim... ainda mais pra quem deixou de ser o expectador que via de dentro do carro a vida aqui dentro acontecer. Que via as sombras dançando e embalava o mesmo ritmo que elas de dentro do meu quarto quadrado.

Eu saí do carro no meio da estrada pra sentir o vento...

"A felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada." (B. Dylan)

Durante esse ano eu acumulei riquezas que,  para alguns,  não vão me levar à  conquistar o mundo do consumo. É  a contradição dentro de um sistema que me diz a todo momento que na vida a gente precisa conquistar bens. É  a contradição dentro de um outro Clã de São Paulo,  onde as pessoas filtram a prosa que terão comigo de acordo com a marca do meu celular. Se for o da maçã,  o assunto é  Cult. Se for qualquer outro,  vamos falar de desigualdade social...
Onde a amizade é  medida pelo número de vezes que eu fui pro Chile... ou que eu jantei no mesmo restaurante que o Cristiano Ronaldo jantou... São riquezas acumuladas no meio  do deserto de sentimentos vazios,  de amizades por interesse,  de egos em busca de afirmação de corpo perfeito,  pessoas perfeitas, e com valores sociais que não cabem numa realidade como a nossa. Ou até mesmo em uma sociedade que "quer ensinar fazer comida uma nação que não tem ovo na panela... "
Em tempos de valores baseados em riquezas materiais,  quem consegue encontrar ouro em amizades e em Clãs como o Curinga é privilegiado,  ainda que a maioria diga que não. Ainda que pessoas se afastem...

"Aqueles que carregam as insignificâncias a que chamam riqueza ficam sempre demasiado pesados para voar." (Saramago)

Eu sou privilegiada.

Que sempre haja motivo pra me lembrar de tudo que vivi aqui com vcs!  E  que o Universo me leve a saltar pra queda livre,  a acumular riquezas de coração e alma,  a sair do quarto quadrado e ver o sol!

 Escrever pela última vez como Dama de Copas nesse Clã foi um prazer!  E  que os ventos sempre continuem nos guiando pra mais encontros com café,  prosa,  chimarrão e poesia! A Dama sempre estará à espera da sombras dos Curingas dançando pelas ruas da vida! E  ela dançará todas as vezes com vcs,  de perto ou de longe!

Vida longa aos Curingas!