Os momentos que compõem nossos dias podem ser fantásticos ou corriqueiros. Aprendi, com a Física (a poetisa das Exatas), que tudo depende de um referencial - igualmente aqui, sobre os momentos, de um ponto de vista.
Há dias em que, para mim, o mero e repetitivo cumprimento de meu trabalho se torna simplesmente corriqueiro, embora eu corra os mais diferentes riscos. Ao mesmo tempo, nada mais fantástico do que chegar em casa e ver pela janela um por-do-sol...
Dizer que a vida é feita de momentos é um ditado clichê... Mas deve haver um bom motivo para existirem ditados clichês!
Os mais variados riscos de vida circundam, na verdade, todas as pessoas. Dizer que tenho maior propensão a um mal inesperado em virtude de minha profissão não exclui um acaso (acaso?) igualmente trágico (trágico?) a uma dona de casa, por exemplo.
"Mapas e bússolas, sorte e acaso, quem sabe do que depende?" (Humberto Gessinger)
Talvez a maior dádiva e o maior desafio de nossos dias seja justamente a incerteza do amanhã, pois nos mostra a importância de não estagnarmos. A vida dita ritmos, e é preciso dançar mesmo entre amarras. Dessa forma, outra vez sendo clichê, posso afirmar com veemência que "o que não nos mata, nos fortalece..." - ou engorda! (citando Nietzsche e a minha avó numa mesma frase).
Por falar em momentos... Quem sabe do que dependem os grandes encontros? - um momento fantástico como um simples jantar entre curingas na noite de ontem só foi possível porque milhares de acontecimentos na História confluíram para tal. Nossa História nos fortaleceu!
De um reencontro aparentemente corriqueiro, surgiu uma prosa fantástica - vi nos olhos de menino o reflexo de um mundo poético; vi nos olhos das crianças o encantamento com os pequenos gestos.
Talvez, a vida seja feita, além, de estado de espírito - e deste devem ter surgido os ditados clichês (pensando agora, "ditado clichê" é uma expressão tão forte que soa pleonástica). Podemos nos resignar com as intempéries do seu curso, ou enxergar nela a poesia que enxerga uma criança ao admirar, estupefata, a uma bela alvorada!
"Valeria a pena viver cada segundo de sua vida novamente, exatamente como foi da primeira vez?"
Ao visitante
O papel em que escrevo
Não é mais que uma miragem
Qual jangada e sua rede
Salva a vida da mensagem
Feito barco, prosa ao vento,
Num entreposto da viagem,
As palavras - o alimento,
De um poeta de passagem.
E esse nó que me fica agora na garganta?
ResponderExcluirE estas lágrimas que finjo não existirem agora nos olhos, mas que confesso aqui?
E está sensação de encantamento profundo com uma arte que, de tão bela, nem precisa figurar na prosa solta de um jantar de curingas?
E esse tanto de perguntas?
Não sei...
Viva o tempo e a vida, que nós trouxeram até aqui (texto, comentário e uma amizade mais forte que muita consangüinidade...
Viva a poesia!
Viva o sangue!
Viva as células hematopoeticas...
Sim...
Viveria cada segundo novamente... Por mais pesada que a vida possa ser (ou aparentar ser) vale a pena suportar tudo pra viver momentos como este!
Fim de papo aqui?
Sim...