A Terra é minha morada.
A Terra é tua morada.
Pra onde quer que você olhe, sempre verá a Terra.
Existe uma força magnética que nos liga a ela de uma maneira irresistível: um espírito invisível e aprisionador chamado de “Gravidade”.
Não são poucas as imagens em minha mente que alimentaram a vontade de superar o espírito de gravidade. A primeira que me lembro é a do Peter Pan... A imagem era tão forte que cheguei a sonhar que voava como ele... Lembro-me de que, em meio aquela sensação fantástica, me veio à mente que tudo aquilo era um sonho. Consciente de minha inconsciência - passei a aproveitar ao máximo aquele momento. Lembro-me que foi bom. Muito bom. Uma hora acordei. Ficou um sentimento de alegria e satisfação pela liberdade momentânea que tive em relação ao espírito de gravidade. Jamais esqueceria este sonho de criança.
A segunda imagem que tenho é a do super-homem, não o do Nietzsche, mas o do cinema. Um alienígena que em nada diferia de nós, exceto por não sofrer os efeitos da gravidade, podendo assim voar e usar uma força sobre-humana...
Outras imagens de superação da gravidade se movimentaram em minha mente, mas deixo apenas mais uma como destaque: O alienígena do filme “E.T. O Extraterrestre” fazendo uma bicicleta voar:
Uma imagem que, embora pertença a um filme lançado
seis meses antes de eu nascer, entrou em minha memória uns 15 anos depois. Andar de bicicleta
pra mim é uma experiência libertadora. Na bike é possível se locomover em uma
velocidade maior que a caminhada e sem o inconveniente da poluição e do barulho
dos veículos de motores a combustão interna. No filme, a bike vai além... Faz
pensar que é possível o impossível. Dá pra se imaginar pedalando pelas estrelas
que aparecem no nosso céu noturno. Mas tudo o que está além da nossa Terra, se
apresenta como ilhas distantes, inacessíveis a minha pequena bike...
O Zaratustra de Nietzsche não procurava voar
andando de bicicleta, mas com o mesmo princípio de movimento:
andar-correr-voar:
“Eu acreditaria somente num deus
que soubesse dançar.
Quando vi meu diabo, achei-o
sério, meticuloso, profundo e solene: era o espírito de gravidade - ele faz
todas as coisas caírem.
Não com a ira, mas com o riso é
que se mata. Eia, vamos matar o espírito de gravidade!
Aprendi a andar: desde então
corro. Aprendi a voar: desde então, não quero ser empurrado para sair do lugar.
Agora sou leve, agora voo, agora
me vejo abaixo de mim, agora dança um deus através de mim.” (Assim falou
Zaratustra – Friedrich Nietzsche).
Só com o movimento e a dança é possível conceber o divino! Só com o
riso é possível superar o espírito de gravidade... Enquanto não aprendo a voar,
sigo pedalando... Talvez um dia os meus pneus se desprendam do chão e, mesmo
sem carregar comigo um E.T., eu consiga alçar voo... Mas ainda que voe,
voltarei...
A Terra é minha morada!
Mas o que importa isso tudo ao sol e suas irmãs?
“Eia! chora [...] se tens
lágrimas. Se só tens riso ri-te! É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia
não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os
risos e as lágrimas dos homens.” (Quincas Borba – Machado de Assis)
E se somos nós apenas poeira de estrelas, o que importa pras estrelas
a poeira? O que importa pra ti a poeira em tuas coisas?
Talvez as estrelas tragam o maior entre todos os ensinamentos: a
indiferença! Não que eu queira vender a ideia de uma indiferença mórbida,
pessimista... Mas se deixarmos de lado as coisas muito maiores que nós e a
poeira no chão que a gente pisa, tenhamos mais tempo pra observar aquilo que
nossos olhos podem observar, como uma paisagem em uma estrada rural sob as
rodas de uma bicicleta... Como os minúsculos pontinhos de luz que aparecem a noite
no céu... Pra que querer querer toca-los?
Mas ainda assim, quero seguir em movimento... Sigo querendo voar pelo
planeta...
A Terra é tua morada. Nesta quarta-feira, lembra-te que nada mais somos
que cinzas: Poeira apagada de corpos de luz que viajam pelo nosso universo...
"As estrelas são sábias,
para elas, tanto faz como escolhemos viver nossas vidas aqui na Terra." (O
Dia do Curinga – Dez de Espadas – Jostein Gaarder)

Grande Curinga, tardei mas não falhei... O dia a dia tem sido pesado, com a gravidade insistindo em enfiar meus pés no chão... Coisa que evito também pelo riso e pela bike! Nada como ir pra uma faculdade cheia de "almofadinhas" em seus ternos e gravatas e chegar lá e bermuda, tênis e bike! Seus carrões presos no trânsito ficam hilários enquanto chego em casa em cinco minutos com meu veículo de tração humana... É a minha forma de voar! Por fim, termino com as palavras de um velho "conhecido" nosso... Que ironizou os que atravancavam seu caminho com a figura de um pássaro: DAS UTOPIAS
ResponderExcluirSe as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!