quarta-feira, 29 de abril de 2015

#20 - SETE DE PAUS - Como era possível que células hematopoéticas pudessem existir dentro dos meus ossos?

Desejei - há algumas horas – escrever o mais belo poema do mundo...
Agora, mais modesto, desejo apenas conseguir escrever...
Enquanto hesitava pra iniciar este parágrafo de caneta e caderno nas mãos, a pequena Clara, pra minha surpresa, se aproximou, parou de pedalar e perguntou:
- Pai, você está pronto pra escrever?
As palavras foram exatamente estas. Não me surpreendeu a frase conjugada corretamente, afinal, mesmo com apenas quatro anos, já tem alguns meses que ela vem usando palavras e frases dentro da norma culta de nossa língua. Mas o conteúdo da pergunta me chegou como um raio! Olhei fixo pra ela e respondi:
- Estou! E você, está pronta pra pedalar?
- Sim!
- Então pedale!
Graças à pergunta da Clara cheguei até aqui... Seu irmão Luiz Miguel também pedala na quadra enquanto escrevo.

Voltando ao simples desejo de escrever, explico: Quem me conhece, sabe que escrever é uma das coisas que mais gosto de fazer. Mas problemas relacionados ao meu lado de paus (curingas não passam de cartas que tem os quatro naipes) me deixaram profundamente triste e desanimado...
Já estive profundamente triste e desanimado em assuntos que dizem respeito ao meu lado de ouros e de copas. Encerrei cinco de paus na esperança que, talvez agora, em sete, encontraria uma luz pra mirar um horizonte. Agora, junto as névoas de ouro, sob os meus dois maiores tesouros, juntou-se a fumaça de gás lacrimogêneo que jogaram na minha base de paus... Quando digo dos meus dois tesouros, é porque a Clara, poucos meses depois do irmão, foi diagnosticada com a mesma doença rara...
Mas em meio a tanta névoa, desviando um pouco a mente dos problemas e vendo os dois aqui, pertinho de mim, pedalando, no final da tarde, já é uma luz agradável. E, mesmo sem ver o horizonte, posso imaginar um lindo pôr-do-sol...
Anoiteceu... Nesta época do ano, ao olhar pra mesma quadra em que estive no final deste dia, dá pra ver o nascer-do-sol, que encerra as noites. Vejo o sol nascendo e imagino ver também o mar...

"O vermelho da aurora formava uma espécie de cinto bem fino que separava o céu do mar." (O dia do Curinga – Sete de Paus – Jostein Gaarder)

Que bom que não fui a Curitiba. Entendo e apoio quem está pensando no futuro da nossa profissão lá na capital do estado. Mas não posso pensar agora na aposentadoria. Tenho urgência em viver cada minuto com meus filhos. Nada é tão prioritário quanto isso. Não posso ficar mirando horizontes que não sei aonde vão me levar...
E assim, mudando completamente a perspectiva, olhando pra tudo o que tive de bom hoje, posso finalmente me sentir bem... Danem-se os naipes que definem as cartas na paciência. Se é verdade que trago todos em mim, não é menos verdade que não tenho qualquer compromisso com nenhum deles. Só os uso pra poder fazer parte do jogo. Por hora, vivo meu jogo só com curingas. Raríssimos e pequeninos curingas - o melhor que tenho em meu baú de ouros.
Mas não há porque recuar na luta. O tempo torna a situação cada vez mais grave e só um transplante de medula óssea pode garantir que o Luiz Miguel prolongue sua existência neste nosso planetinha. A Clara ainda não vive situação tão grave, mas os médicos dizem que é questão de tempo.
Medula Óssea... Coisa que custei a entender! Como era possível que células hematopoéticas pudessem existir dentro dos meus ossos? Mas nem toda a minha poesia poderá garantir a solução que o meu pequeno curinga precisa. Contudo, os médicos já sinalizam que minha hematopesia poderá salvá-lo! Manter e aprimorar minha saúde é questão central nos meus dias agora!
Pra quem queria só escrever, terminar hoje com um poema seria pedir demais... Mas espero conseguir um dia escrever o mais belo poema do mundo. Um daqueles que se escreve sorrindo ao vencer uma batalha. Neste dia, todas as minhas células hematopoéticas estarão regendo a vida que surge no interior dos ossos do Luiz Miguel...

E que as boas notícias e a boa saúde contagie a tudo e a todos! Que esteja presente hoje também em alguém especial - alguém que tenha olhos cor de esperança...

quarta-feira, 22 de abril de 2015

#19 - Seis de Paus - HUMANO DEMAIS...

Escrevo esse post no editor de texto do meu celular. Não parece tão poético que algumas palavras nasçam nesta tecnologia, mas diante das poucas brechas que os dias me dão para as rimas e as prosas, o simples fato de parar tudo ao redor para me render às palavras já se torna um verdadeiro carpe diem.

O espaço em branco ao fundo lembra uma tela a ser preenchida. Pergunto-me, incansavelmente, caso eu fosse uma artista... Qual seria a cor da poesia de hoje?

"O mundo é azul... Qual é a cor do amor?" (Cazuza)

O verde simboliza a esperança, ainda que por trás de olhos vermelhos e trêmulos. O amor pode ser polícromo, tendo células simpáticas a toda sorte de adrenalina que corre nas veias...

A poesia de hoje é uma prece, como quem segura nos braços um tesouro e jura, ainda que impotente, o bem maior como garantia...

... Abre o peito como se de aço fosse, para descobrir, secretamente, ser tão vulnerável quanto qualquer ser humano... E por isso, vive!


Segure em minhas mãos, meu amor... E tome para si um pouco desta vida, que roubo dia-a-dia dos teus braços!

"Feche os olhos, tome ar, é hora do mergulho... 
Um mergulho em busca de ar" 
(Engenheiros do Hawaii)

A poesia de hoje é verde, como seus olhos de mar...

quarta-feira, 15 de abril de 2015

#18 - CINCO DE PAUS - Tinha ficado mais difícil jogar bola

Bola na marca do pênalti. Atrás de si uma fila de crianças de sua turma o observa aguardando a sua vez de chutar ao gol formado por cones no pátio da escola. Ele olha para a bola em cima da marca de giz no chão. Olhou para o gol e para o goleiro... correu... chutou com muita confiança e...
A confiança não se traduziu em força e, em uma velocidade quase insuficiente para chegar até a linha do gol, a bola parou devagar no pé do goleiro que a chutou de volta rindo e acompanhando aos outros que diziam em chacota: “nanico”, “fracote”, “toquinho de amarrar bode”...
Voltou para casa e não contou o episódio a ninguém. Não bastasse a vergonha que sentia ainda queriam que contasse? Contar seria como reviver tudo e ampliar o número de pessoas de quem sentir vergonha. Passou a tarde toda triste e ninguém conseguiu arrancar de si o motivo de toda aquela tristeza.
Depois de muita insistência da mãe dele, no dia seguinte, acabou contando o que ocorrera. Sentia-se exatamente como os colegas disseram: um fracote, incapaz de chutar uma bola para o gol.
Quando soube, não quis conversar com ele sobre o assunto. Um tímido nato como eu sabe que, conversar às vezes só piora o sentimento de vergonha.
Chamei-o então pra dar uma volta e fomos até um local público que tem vários campos de futebol. Peguei a bola, posicionei-a no gramado, ocupei o lugar do goleiro e pedi pra ele chutar. Ele hesitou, mas mostrei para ele que só estávamos nós dois ali e eu queria ensiná-lo alguns truques.
Convencido, ele correu e chutou quase automaticamente, sem mudar a passada e com o bico do pé. A bola me chegou fraca, bem no meio do gol. Coloquei novamente a bola na grama e expliquei sobre impulso, utilização do lado do pé para facilitar a escolha da direção da bola... Apesar dos seus cinco anos, ele me ouvia com atenção, afinal já tinha me visto fazendo gols em jogos de futsal e sabia que podia confiar em mim.
Voltei pro gol e pedi pra ele chutar como eu havia ensinado. A bola veio fraca ainda, mas já tinha uma direção. Dois, três, cinco, dez chutes... com um pouco de repetição, dicas e incentivo, logo ele estava chutando forte, alto, no canto! Agora era só voltar pra escola e frustrar a todos que esperavam pelo momento de rir dele novamente...
No outro dia, chegou alegre e sorridente da escola e veio me contar, com a riqueza de detalhes que ele sempre usa, os gols que fez. Me senti um grande pai naquele momento!
Nesta mesma época, ele sempre acompanhava comigo os jogos do Londrina que, naquele ano, disputava a segunda divisão do campeonato paranaense de futebol. Foi nestas idas ao estádio que ele passou a alimentar o sonho de ser jogador do time da nossa cidade. Mas notei que ela passava a maior parte do tempo com os olhos colados no goleiro, que na época era o Danilo (hoje na Chapecoense). Perguntei se ele queria ser goleiro e ele disse que talvez, mas o importante mesmo era se tornar um jogador do Londrina!
O nosso time venceu aquele campeonato e voltou à elite do futebol estadual. Tive a ideia de fazer uma versão em rock do hino do clube, afim de comemorar aquele momento. Junto com amigos de uma velha banda de rock que tínhamos, iniciamos este projeto.
Em meio a tudo isso veio o duro golpe. O pequeno Luiz Miguel teve uma gripe forte em Dezembro (ou Reis), que não cessou com a medicação. No retorno ao hospital, em 17/12/2011, os exames de sangue apontaram um quadro de saúde tão grave, que ele foi internado na UTI pediátrica imediatamente!
Mais tarde ele seria diagnosticado com “Anemia de Fanconi”, uma doença genética rara, que exigia um transplante de medula óssea. Tinha ficado mais difícil jogar bola...

E agora? Como agir em meio a esta tempestade de sensações e medo que se apresentava com a urgência e gravidade da situação? Todos os projetos de minha vida congelaram. Restava a esperança de encontrar um fiapo de luz em meio a toda aquela escuridão que povoava minha mente.

Do navio à noite, embora não se veja nada, sabe-se que há um mar à frente... (O dia do Curinga – Cinco de Paus – Jostein Gaarder).

Mas o resultado desta minha navegação em um mar às cegas é assunto pra uma outra carteada... Em sete de paus podem estar escondidas as luzes que, talvez, possam acender a imagem do horizonte a minha frente!

quarta-feira, 8 de abril de 2015

#17 - QUATRO DE PAUS - Nossas loterias gigantes (?)

Há cerca de 12 anos atrás, eu me encontrava na fila de um banco com um formulário em mãos e um boleto. Era a minha inscrição para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina. O campo de escolha do curso ao qual eu pretendia concorrer ainda estava em branco, e eu aguardava uma "luz divina" que me fizesse escolher entre Direito, Jornalismo e História. No último momento, decidi pelo curso de História. Um lance de dados... uma jogada de sorte?

"Então Einstein estava errado quando disse que 'Deus não joga dados'. Considerando o que os buracos negros sugerem, Deus não só joga dados, Ele às vezes nos confunde jogando-os onde ninguém os pode ver"
(Stephen Hawking)

Não saberia dizer o motivo exato pelo qual tive o impulso de escolher esta graduação. Talvez tenha sido uma confluência deles... meu pai havia cursado História até o segundo ano. Eu teria aula com os mesmos professores que ele, talvez vivenciasse momentos parecidos com os que ele tinha vivido e sobre os quais me contava com profundo orgulho e saudosismo.

Um dos trabalhos mais incríveis que eu tinha feito no ensino médio havia sido de História. Traçando uma linha do tempo, elenquei os momentos mais marcantes da minha vida, ilustrados com imagens e legendas, e enumerei um paralelo de eventos que considerava "relevantes" no resto do mundo naquelas datas. Foi o trabalho que me fez perceber que a História só tem importância real quando nos vemos como sujeitos dela. 

Tantas outras pessoas optaram pelo curso de História, naquele momento, assim como eu. Nossa primeira loteria foi ter ficado dentro das quarenta vagas ofertadas para a opção noturna. Os demais, para mim, não existiram.

Desses quarenta, quatro, 10% exatamente, se tornaram como uma família para mim. Uma série de acontecimentos confluiu para que, durante os quatro anos de graduação, nos aproximássemos e, até depois deste intervalo de tempo, mantivéssemos laços indissolúveis.

Numa perspectiva histórica, quantos acontecimentos teriam confluído para que esse encontro acontecesse? Citei alguns que, numa visão macro, nem chegam perto do fato de que todos os nossos ancestrais tiveram de vencer a morte em tempos de guerra e inanição, e ainda de reproduzirem-se diante de todas essas dificuldades, para que ao menos pudéssemos desfrutar de nossa existência. Mais uma grande loteria...

Às vésperas do vestibular - hoje me pergunto - o que teria levado essas pessoas a escolherem o mesmo curso que eu? Por que esses quatro indivíduos, dentre os quarenta, se tornaram as pessoas mais importantes pra mim naquele universo acadêmico? 

A resposta a esta última pergunta, sem dúvida, não é uma questão de loteria... As pessoas se tornam importantes em nossas vidas devido às experiências que compartilhamos, às Histórias que vivemos. Histórias com letra maiúscula, pois desde 2004, nos tornamos sujeitos delas - de nada valeria o Dragão de São Marcelo, nem o Devir de Heráclito, não fosse a visão do querido "FMDO" reunido.

Sim... o Naipe da vez é o de Paus, mas essas amizades são de Ouro. A ponte Curitiba-Londrina me proporcionou novo encontro com essas pessoas, 11 anos depois de nos conhecermos, 12 anos depois daquela fila para a inscrição no vestibular. Um membro estava faltando, outro ria, mas não parecia feliz. Eu não estava conformada...

Pouco importa que novas circunstâncias tendam a afastar esses curingas - mesmo diante delas, eu viveria tudo novamente. 




E se, falando em loteria, lembramos de apostas, aposto que a Roda da História não falhará conosco neste devir que nos trouxe até aqui. Até 2017!


quarta-feira, 1 de abril de 2015

#16 - TRÊS DE PAUS - Uma cruz de paixões bem pesadas

Sete horas da manhã. O sol recém-chegado ilumina timidamente a paisagem que admirei na tarde anterior da sacada do mais acolhedor dos apartamentos da capital paranaense. Dali se pode ver uma casa de madeira, bem conservada, com amplo quintal nos fundos e um antigo poço de agua na frente, que ganhou contornos ainda mais belos naquela fresca manhã de Curitiba. Além do poço e a casa “de sítio” naquele local eminentemente urbano, havia no alto do poste, bem próximo a sacada, uma casa do João de Barro e seu dono...
Antes de voltar pra aquela paisagem matinal típica da estação de paus, ilustro a descrição com a foto/notícia de que o João de Barro começou a construir uma nova casa ao lado da sua. Me veio então uma dúvida: Estaria ele apaixonado? Será que ele planeja concluir a ampliação na expectativa de atrair pra lá uma desejada companhia?

Foto enviada pela melhor anfitriã do mundo!

“As aranhas não tecem suas teias por loucura ou por paixão
Se o sangue ainda corre nas veias é por pura falta de opção”
(Além dos outdoors – Engenheiros do Hawaii)

Voltando a narrativa matinal do início, quando passaria a observar outros pontos da paisagem que tanto me chamou a atenção no dia anterior, uma cena desviou totalmente tal objetivo: Lentamente, porém em ritmo constante, pedalava ladeira acima uma garota na movimentada rua que cortava a paisagem alguns metros abaixo de onde eu estava. Ela usava capacete, luvas, um vestido verde simples e uma pesada blusa. Quis o destino que ela sentisse calor e o consequente incômodo da blusa bem ali, em frente a casa do poço, na reta do poste do João de Barro. Tirou das costas a mochila que carregava colocando-a no chão. Com muita leveza de movimentos tirou a blusa, alcançou a mochila no chão e colocou com todo o cuidado o agasalho lá dentro... Não dá pra se apaixonar por alguém que nem pude ver a cor dos olhos. Mas um conjunto de fatores e recordações ativou em mim um estado de encantamento com aquela cena... Ela desapareceu ladeira acima pra, provavelmente, nunca mais estar diante de meus olhos... Mas ficaram coisas familiares dela reverberando na minha memória naquele dia. Elementos agradáveis que, ao que me parece, já estavam em mim: bicicleta, esforço, beleza física trajada de verde... Verde... Verde como a cor de olhos que sempre me vem a memória quando fecho os meus, castanhos.

“De olhos fechados não me vejo - E você sorriu pra mim...”
(Se fiquei esperando o meu amor passar – Legião Urbana)

"Achei-a tão linda que fiquei sem saber pra onde olhar (...)
Quando sorria, duas covinhas profundas se desenhavam em suas bochechas. Achei que a sua beleza não era deste mundo. Ela era linda como um elfo. Quando sorria, seus olhos verdes brilhavam como esmeraldas. Não conseguia desviar os olhos dela."
(O dia do Curinga – Três de Paus – Jostein Gaarder)

Paixão é uma palavra que vem do grego “pathos”. Esta mesma palavra deu origem a um termo que designa problema de saúde, “patologia”. Estar apaixonado então é estar doente? Se alguém afirmar que sim, haverá de concordar então que nossa civilização construiu seus pilares e seu calendário ao redor de um “Deus doente”:

“Um Deus apaixonado mandou o seu recado
Por meio de seu filho [...]
Um filho apaixonado morreu crucificado
Paixão mais dolorida o mundo nunca viu...”
(Um Deus apaixonado - Padre Zezinho)

Mas se paixão for mesmo doença, prefiro acreditar que seja uma doença boa, inspiradora, cheia de vitalidade... Estar apaixonado implica deixar de lado o comportamento que possuem as cartas de paus. A paixão não se harmoniza com o comportamento de rebanho! Antes, induz a abandonar tudo o que for habitual, entregar todas as energias ao firme objetivo de satisfação da mesma... O rebanho dificilmente entende o apaixonado, vide o exemplar drama da Paixão de Cristo, morto pela ira dos que não o entendiam:

Por quatro anos seguidos interpretei o personagem principal da "Paixão de Cristo".
Como em todo teatro desta natureza, há sempre cruz de paus bem pesados a ser carregada...

Costuma-se associar paixão somente a casos românticos. Também. Mas, para alem disso, a paixão é sentimento que transita por todas as esferas da vida. Nós, apaixonados, haveremos sempre de carregar uma cruz de paixões bem pesadas!
A paixão é um sentimento intenso, perigoso e prazeroso ao mesmo tempo. Chega-se facilmente nos tênues limites da dor e do prazer sem se notar onde começa e acaba cada uma destas sensações... Pra viver o prazer de uma paixão é preciso pagar o preço da dor. Pra crescer na dor de uma paixão, paga-se o preço do inebriante prazer... Paixão é loucura! Paradoxo! No fundo, acho que louco mesmo é quem nunca teve coragem de se apaixonar, de se entregar de corpo e alma a uma paixão de qualquer que seja a natureza...
Diferente da visão pessimista do Renato Russo no disco “A Tempestade”, prefiro pensar que a paixão é benéfica por si própria, de modo que, mesmo quando há dor e uma eventual frustração, há lucro.

“...Não quero deixar que a tristeza Inunde o meu coração
Prefiro chorar com a certeza de que essa paixão
Me fez um homem melhor - Depois de você.”
(Baby, Eu Queria – Nando Reis)