O post de hoje não é inédito, ou talvez seja, uma vez que seu texto jaz em um caderninho de bolso, no fundo de uma gaveta, desde outubro de 2013.
Quis resgatá-lo hoje, do nada. Assim como, do nada, passei o dia sentindo a necessidade (que tem sido recorrente) de ver o mar, de estar à beira de algo...
Escrevi esse texto em Trindade-RJ há quase dois anos, e hoje o sentimento é parecido...
MAR ADENTRO...
Não faço ideia das horas, mas já deve passar das 22h. Há cerca de 12h uma tempestade assolou a Vila de Trindade, deixando-nos sem energia elétrica, e ainda com um instável sinal telefônico - nada mais propício para o retorno ao papel e à caneta.
Dias a fio tenho me dedicado ao trabalho e a tudo que ele envolve. Quase sem identidade (ou com várias delas), tornei-me um rótulo batido e difamado pelas pessoas - fardo que, tanto quanto me realiza, me tira o sono; tanto quanto me populariza, me afasta das pessoas.
***
O poeta estava certo quando disse que a solidão podia se tornar um vício. Nietzsche estava mais correto ainda sobre o peso da solidão que pode devorar um homem em meio à multidão. Contudo, talvez uma das maiores conquistas que um ser humano possa alcançar seja a da solidão desejada, como etapa do auto-conhecimento do indivíduo que, só assim, poderá oferecer verdadeira companhia - como na melhor poesia de Rilke, somente à distância conseguimos ver completamente ao outro e a nós mesmos.
Todos perguntam por que viajo sozinha. A cada um, respondo o que acho que lhe convém. Recebo olhares de pena e de admiração. Sempre intrigados. No fundo, busco apenas a justa distância do meu próprio ser, e que o desprendimento permita novos encontros...
[como adendo, posso afirmar, dois anos depois,
que um encontro providencial acontecia nesta época do ano]
***
Após quase seis anos sem ter um verdadeiro descanso (físico e mental), decidi escolher um lugar financeiramente viável e, ao mesmo tempo, isolado de qualquer forma de rotina que me lembrasse o dia-a-dia e os problemas da cidade. Uma espécie de bucolismo necessário, impulso idílico - WANDERLUST! - alma que implora refúgio do corpo.
Aqui, tenho sido errante por matas e praias, por vezes passo horas ouvindo apenas o mar e o ruído ensurdecedor dos meus pensamentos... que, aos poucos, vão se esvaindo em brisas...
***
"Viver é melhor que sonhar"
(Belchior)
***
Mais do que apenas
Ambiente diverso,
Rompe meus versos
A brisa do mar.
Desperto da Inércia,
Encontro outro norte,
Navego à sorte
Trazida de lá.
Rumo ao que for,
Outro dia Virá
Trindade - Paraty-RJ, 03.10.2015.


Nenhum comentário:
Postar um comentário