quarta-feira, 26 de agosto de 2015

#37 - VALETE DE OUROS - Na contramão da vaidade: perambulando no Planalto Central

Mais uma vez escrevo da estrada. Se o destino é uma serpente que engole a si mesma, minha tarefa é ludibriá-la para não virar presa - perambulo pelo mundo e tenho comigo mesma um voto de não "partir desta pra melhor" antes de compreender um pouquinho mais sobre ele.

Estou na terra do mais alto poder e autoridade do país. Local em que as pessoas se guiam por setores e asas, como se a compartimentação da vida fosse sinônimo de organização e, por consequência, de qualidade - "setor de indústrias"; "setor de diversões" (produza aqui, mas seja feliz apenas acolá). 

"Meu deus, mas que cidade linda..."
 (Legião Urbana)

A cidade de asas, contudo, não decolou. Afunda, amiúde, com seus símbolos maiores de poder e autoridade - vaidade daqueles que levam o país no cabresto da carência e da desinformação.

A ostentação das esplanadas é de uma beleza tão impressionante que quase disfarça seu ponto fraco aos olhos narcisistas - as paredes espelhadas refletem universos que não pertencem ao cenário. 

O Parque da Cidade não tem árvores. O Estádio Nacional não tem time. O Lago Paranoá não tem acesso. O museu só tem uma versão da História.

"O sonho é... [uma mentira repetida] popular... [até virar verdade]" (HG)

Seria destino ou coincidência essa viagem sob a égide do naipe de ouros?

... Devaneios que tenho caminhando no percurso de meus compromissos na capital federal... 

"Vidas se repetindo na estação", como na canção... Vidas que se cruzam por acaso ou por um motivo... A serpente novamente se engolindo...


Penso agora na poesia que sopra o vento árido do cerrado - rimas secas também são rimas, ventos que salvam de afogamentos. Perambulo pelo mundo pois a minha única vaidade é rimar sempre em novos ares, ainda que eles sejam rarefeitos nesta Terra de Gigantes.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

#36 – DEZ DE OUROS - ...quando olhei nas entrelinhas, vi a mim mesmo espreitando por detrás das palavras...

Comecei a fria temporada de Ouros invocando à música para redimir as palavras. Em cada uma das minhas aparições nesta estação, abrindo as semanas deste nosso “calendário maia”, usei como trunfo uma música. Não pretendo voltar antes de Ás de Copas, quando uma outra estação será inaugurada.

“...meu coração suburbano espera riquezas maiores
Eu sigo o calendário maia, sou descendente dos astecas
[...] Estou longe, longe - Estou em outra estação...”
(Uma Outra Estação - Legião Urbana)

Minha ausência no final de ouros será não por omissão, mas por lançar mão de um outro trunfo especial, que tem surgido aqui no clã em cada uma das estações – a dama – que agora virá adornada de ouros...
Por hora, tentando não projetar o futuro também neste parágrafo, deixo como despedida minha de ouros mais uma música. Embora seja ambientada em um cenário todo medieval, consigo ver um personagem contemporâneo nas entrelinhas desta canção – eu mesmo:

“Não sou escravo de ninguém
Ninguém é senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz”

Ser escravo pode ser uma condição imposta à força por alguém armado (de metais ou palavras) o suficiente pra te convencer a fazer tudo o que interessa a ele e não a si. Mas se existem escravos circunstanciais, há que se dizer que existem muitos escravos que o são por escolha ou medo. Penso que a esmagadora maioria das pessoas é escrava. Refém de valores, anseios e vontades totalmente alheias a si. Nietzsche falou inúmeras vezes em sua obra sobre pessoas que possuem um “espirito livre”, indivíduos que são capazes de dançar mesmo acorrentados. Mas em um sentido mais prático, útil pra nossa maneira atual de levar os dias, gosto do que o filósofo diz em “Humano, Demasiado Humano”:

“[...] Não se pode perguntar ao banqueiro acumulador de dinheiro, por exemplo, pelo objetivo de sua atividade incessante: ela é irracional. Os homens ativos rolam tal como pedra, conforme a estupidez da mecânica. — Todos os homens se dividem, em todos os tempos e também hoje, em escravos e livres; pois aquele que não tem dois terços do dia para si é escravo, não importa o que seja: estadista, comerciante, funcionário ou erudito.” (Friedrich Nietzsche – Aforismo 283)
A partir desta ótica, podemos supor que um bobo da corte pode ser (e provavelmente é) bem mais livre que um chefe de estado. Quais são as moedas que fazem sentido em nossa vida? Quais são os limites de nossos domínios? Os pedaços de papel com números (tal qual cartas de baralho) ou as escrituras de posse valem mais que o tempo que temos de vida com saúde? Pra mim não! É um valor que tenho e temo ao vê-lo se desfazer em mim ou em seres que amo.

“Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais”

As vezes pegar a bicicleta e percorrer os abismos da vida não cura a sensação de solidão em meio a imensidão do universo e a aparente infinitude do tempo. Nunca houve tanto frio aqui dentro de mim. Ter fé (ou não) não é mérito! Como podem as pessoas se gabarem ou se acharem superiores pela simples credulidade em algo? Mesmo pra quem é muito convicto do que acredita, penso que a dúvida redime mais que a fé. Se a fé nunca foi colocada à prova pela dúvida, então ela não vale nada, pois é automática. É por isso que a fé, sozinha, destrói. Pensamentos vagos em uma alma extremamente solitária. Mesmo em dias que tenho os melhores abraços, o inverno ainda segue dolorido, embora a primavera já surja em meu horizonte anunciando o fim dos dias desleais.

“Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão”

De que me adianta ser metal, ser ouro de brilho raro, se há gelo sobre minha pele? Qual seria o valor do ouro longe da luz? Um fóton de luz do sol que toca meu rosto de manhã não vale mais que todo ouro do planeta? Talvez me digam que os fótons de luz todos tem, enquanto ouros e brasões, são privilégios de poucos... Mas a raridade é mesmo um fator valorativo? Seja qual for o metal feito em brasa e timbrado naquilo que me garante enquanto eu, isto está coberto de gelo. Só o sopro do dragão irá me livrar do invólucro branco de água sólida.

“Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos”

Pesar, traição, encontro, virtude... Quanto peso atribuímos a certas palavras. E como são diferentes os modos com que entendemos palavras de grafia e sonoridade idênticas! Algumas ações das mais “indecentes” ao meu juízo, já me chegaram aos ouvidos sob a égide da busca pela “decência”. A atribuição da bandeira de “traição” à desvios de percurso em pobres histórias de relacionamentos afetivos me parece uma invenção de novelas mal escritas e letras de música destas que se vendem em rádios para um grande público. Traição nada mais é do que incoerência; Aqueles passos que damos em direção oposta àquilo que sentimos e desejamos em cada momento; A falta de sinceridade quando se finge sincronia com as pessoas próximas para manter um “status”. Jurar algo que não se pode controlar é, ao meu ver, uma das mais pesadas traições a si: “porque quando eu jurei meu amor eu traí a mim mesmo...” (Raul Seixas). Mas a conta não se fechará! No fim das contas, a única traição realmente condenável é aquela que cometemos contra nós próprios. Quando alguém de sua confiança te “trai” e você não percebe, é você quem na verdade está se traindo por confiar em alguém que não é você. Por outro lado, perceber um gesto traiçoeiro em algo exterior a si (como um abismo na trilha do pedal) é uma excelente oportunidade que a vida oferece para mudar o percurso, traçar novos caminhos e rotas pra longa pedalada da vida.

“Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá”

Na Grécia Antiga, em Atenas, vivia um homem chamado Diógenes. Ele morava em um barril! Nascido em Sinope, quando questionado se era ateniense, dizia que era “uma criatura natural do cosmos, e não de uma cidade nem de um estado”. Ele andava com uma lamparina nas mãos em busca de pelo menos um homem “de verdade”, alguém que não vivesse como um animal de rebanho, mas que fosse livre das mentiras da sociedade. Alexandre, o Grande, tendo conquistado a Grécia, soube do sábio e colocou-se diante dele oferecendo qualquer coisa que desejasse. Diógenes exigiu apenas que ele não lhe tirasse aquilo que não lhe podia dar – a luz do sol, tampada pelo corpo de Alexandre diante de si! Coloco esta história pra dizer que não importa o quão rico ou pobre seja o lugar onde você esteja, a Terra – a Minha Terra – sempre mostrará a mais bela paisagem que se pode ver – um céu de sol, nuvens, estrelas e lua.

Poderia percorrer toda a letra da música aqui, afinal existem frases tão ricas quanto as citadas acima... Mas minha grande riqueza agora é aproveitar os dias de boa saúde dos meus filhos... Quanto dinheiro e posses alguém daria para garantir a boa saúde de seus filhos? De quanto ouro e oportunidades alguém com câncer terminal abriria mão pra alguns dias a mais de vida? Sim, sou rico! Muito rico! Tenho tempo e saúde pra aproveitar! E o melhor de tudo – aproveito da minha maneira, pois sou livre! Um dos raros espíritos livres neste estúpido mundo de rebanho que me rodeia! Mas não vou perder meu tempo com uma lamparina procurando outros seres livres como eu... Já conheço curingas o suficiente pra compartilhar palavras, sorrisos, abraços e vida! Além dos pequenos curingas, por quem sou responsável, tenho a companhia de outras cartas curingas que escrevem aqui no Clã! E você, leitor, é escravo ou é curinga?

“...tudo passa, tudo passará
E nossa estória não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora
Apenas começamos”.
(Metal Contra as Nuvens – Legião Urbana)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

#35 - Nove de Ouros - somos todos da mesma linhagem?

Existe uma teoria que afirma que, neste planeta, tudo o que existe é formado de poeira de estrelas. Outra complementa esta e afirma que todo ser humano descende de um ancestral comum. 

Para os que acreditam em histórias um pouco mais mirabolantes, temos a astrologia e o livro do Gênesis. 

Seja na Ciência ou na Arte, somos levados a acreditar que há uma identidade que nos une, algo que ficou lá atrás, "escrito nas estrelas". 

Por outro lado, basta um olhar, ainda que desatento, para notar estranheza até mesmo no espelho. Somos reflexos das mudanças que, por milênios, nos tornaram seres únicos neste universo, que também é único dentre tantos outros (será?).

"Se eu amo o meu semelhante? Sim.
Mas onde encontrar o meu semelhante?"
(Mário Quintana)

A minha provocação do dia é fruto de reflexões sobre a série "Cosmos - uma Odisseia no Espaço-tempo", apresentada pelo físico Neil deGrassen Tyson e produzida por Ann Druyan, viúva de Carl Sagan, a quem eu não saberia como apresentar, mas cito aqui como autor da primeira versão desta série, em 1980. [Mais uma] Indicação de ouro do curinga Jeferson Sabran.

Se eu tivesse que apresentar Carl Sagan aqui, contudo, diria apenas que foi o autor de um dos textos que me fizeram encantar pelo ceticismo científico há cerca de onze anos atrás. Para além da descrença, esse ceticismo pressupõe a dúvida como a maior dádiva da humanidade, negando tudo o que se afirma absoluto e contraria a razão humana.

"Quando é do conhecimento de todos que os deuses descem à Terra, nós talvez tenhamos alucinações com deuses; quando todos nós estamos familiarizados com demônios, aparecem os íncubos e os súcubos; quando os duendes são aceitos por toda parte, vemos duendes; numa era de espiritualismo, encontramos espíritos; e quando os antigos mitos se enfraquecem e começamos a pensar que os seres extraterrestres são plausíveis, é para eles que tendem as nossas imagens hipnagógicas." 
(Carl Sagan - O Mundo Assombrado pelos Demônios)

Pouco tempo depois, o excesso de cientificismo [acadêmico] me entediou. Fórmulas exatas de pensamento, mesmo na área de Humanas, parecia não passar de mera repetição do óbvio. E o óbvio era que as pessoas estavam perdidas em repetições de discursos sobre os quais sequer refletiam, por falta de coragem, talvez, de conhecer o novo ou o diferente.

Exceto pelo "rótulo acadêmico", essa atitude em nada se diferenciava daquilo que Sagan descreve como "imagens hipnagógicas". Chegamos a criar um estigma para a atitude - Universidade, o "templo laico" do conhecimento. 

Não longe disso, criamos nossas próprias "verdades" cotidianas, crendo no que quer que seja sob a desculpa de sermos, hoje, esclarecidos, e certamente repetimos tais imagens. Um astro do rock, o autor de um livro, uma página na rede social... nossos deuses já foram mitos, astronautas, doutores... hoje, são apenas detentores de um número considerável de seguidores ou fãs. Isso não os torna nem menos nem mais importantes, e é claro que não seremos abduzidos por um smartphone (espero!). 

Por outro lado, ficou mais fácil (e mais frio) acompanhar uma rede social de bolso do que dedicar alguns minutos de nosso precioso tempo para refletir sobre a real influência que tais fatos têm em nossas vidas. Não dedicamos ainda a eles o benefício da dúvida que dedicamos outrora aos outros deuses - hoje, em sua maioria, desacreditados. Fazemos porque todo mundo faz...

"[...] E a sua roupa nova
É só uma roupa nova
Você não tem idéias
Pra acompanhar a moda
[...]
Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz"
(A Dança - Legião Urbana)

A Ciência, a Arte, a Religião, o dia-a-dia... tudo carece de humanização. E humanização significa romper pelo questionamento, pela dúvida. Após a tempestade - eu garanto - vem a poesia: há onze anos atrás, eu e um grupo de amigos elegemos a Arte como guia da ciência histórica. Há décadas atrás, o homem elegeu a Física como a poesia das Exatas, e a astronomia como a rima de seus versos. Há dois mil anos, o cristianismo precisou tornar humano e sacrificar um deus para se aproximar dos homens.

Você e eu, poeira das estrelas, gota d'água e grão de areia... somos completamente insignificantes diante da imensidão do que se apresenta a nós como Universo (ou multiversos?). E ainda, somos cada qual um universo único e paralelo caminhando por aí.

[No livro que inspirou este Blog, o capítulo de hoje é o dia em que o Curinga começa a colocar as cartas em ordem... Quantos universos ocultos começam a se apresentar para formar um todo coerente! Cada qual, em sua insignificância, ocupa um lugar no espaço-tempo de uma ordem maior... e a destruição de uma Paciência é apenas o início de outra]

Olho no espelho e vejo apenas novidade. Olho nos seus olhos, leitor, e vejo a mim mesma.

"Nós somos uma maneira do Cosmos conhecer a si mesmo"
(Carl Sagan)


quarta-feira, 5 de agosto de 2015

#34 – OITO DE OUROS – 8, infinito finito...

No nosso calendário do Clã Curinga, este post fecha o mês das cartas “8”. No calendário vigente, este post abre a semana que terá o dia 8 no mês 8. Curioso é que justamente neste mês 8, me foi apresentada a série “sense8”. 8 pessoas nascidas em um mesmo dia 8/8 em várias partes do mundo, possuem uma incrível conexão entre si.

Frame do episódio 8 de sense8.

Já que tantas conexões com o numero 8 apareceram justamente na semana de oito de ouros, trago um pensamento que tive tempos atrás em um dia 8/8. Abro aspas pra palavras que saíram de alguém que fui, pois já não sou o que era, e não serei por muito tempo o que sou agora (até mesmo esta frase precisará de aspas amanhã).

“Não quero entrar no mérito simbológico da coisa.
Prefiro enxergar o oito como um infinito não acomodado
Ele está de pé agora, pois sabe que permanecera inerte no fim.
Fim?
A ideia de fim mata o infinito...
É aí que entra o oito.
Ele sabe-se infinito, mas está de pé.
É eterno em sua duração.
Entende todo o fim como um recomeço.
A oportunidade de que a novidade floresça”
(Trágica Mente Falando – 8/8/2012)

Devo admitir que o que sou hoje, a julgar pela ideia acima, não é tão diferente do que era. Me agrada muito esta imagem! O símbolo do infinito, em pé, traz a ideia de como cada instante pode ser infinito em sua fragilidade e efemeridade!
A vida se alimenta da morte! Novas flores só poderão surgir na primavera que se anuncia porque as da estação passada morreram. Nós só estamos aqui porque nossos ancestrais morreram! Nos alimentamos literalmente da morte! E não me venha um vegetariano dizer que está isento de cadáveres em sua dieta. Cabeças de repolho precisam rolar (e sem a possibilidade de protestas e gritos) pra encher o seu prato. A morte de cereais, verduras e outros mamíferos, aves ou peixes, garante a nossa sobrevivência. Garante a nossa marcha em direção ao nosso próprio fim.

“Na praia, uma criança constrói um castelo de areia. Por um momento, contempla admirada a sua obra. Depois destrói tudo e constrói um outro castelo. Da mesma forma, o tempo permite que o globo terrestre realize seus experimentos. [...] Na Terra a vida pulsa de forma desordenada, até que um belo dia somos modelados... com o mesmo e frágil material de nossos antepassados. O sopro do tempo nos perpassa, nos carrega e se incorpora a nós. Depois se desprende de nós e nos deixa cair. Somos arrebatados como num passe de mágica e depois novamente abandonados. Sempre há alguma coisa fermentando, à espera de tomar nosso lugar. Isso porque não temos um solo firme sob os nossos pés. Não temos sequer areia sob os pés. Nós somos areia.” (O dia do Curinga – Oito de Ouros – Jostein Gaarder).

Mas ainda vivemos! Eu e você - que agora lê com seus olhos vicejantes – piscando muitas vezes a cada parágrafo... Vivemos com as bênçãos da única e exclusiva fonte de energia de nosso planeta! Algo que está há 8 minutos-luz (ou 149.600.000 km) daqui. A ciência diz que átomos de hidrogênio são convertidos em Hélio no núcleo do sol e demoram 1 milhão de anos pra chegar até a superfície e, dali, chegar até o meu rosto de manhã em forma de luz e calor! Não fosse esta energia, você não estaria lendo estas palavras agora. Sem a energia do sol, nenhum ser vivo conhecido poderia habitar este "pálido ponto azul" que chamamos de Terra.
Tenho 8 motivos pra continuar escrevendo. Tenho 8 motivos pra parar. Faltam 8 minutos pra acabar o mês das cartas de 8. Mas ainda assim, algo a mais precisa ser dito (ou copiado) aqui:

“Não há um lugar onde possamos nos esconder para escapar do tempo. Podemos escapar de reis e imperadores, e talvez até de Deus. Mas não podemos escapar do tempo. O tempo nos enxerga em toda a parte, pois tudo à nossa volta está mergulhado nesse elemento infatigável [...] O tempo vai devorando tudo através da história, silenciosa e inexoravelmente, como o sol se levanta no Leste e se põe no Oeste. Ele destrói civilizações, corrói antigos monumentos e engole gerações atrás de gerações. Por isso é que falamos dos ‘dentes da engrenagem do tempo’: o tempo mastiga, mastiga... e somos nós que estamos no meio de seus dentes.
[...] Não é inacreditável, Hans-Thomas? Vivemos num planeta no universo. Mas logo seremos varridos do tabuleiro. Abracadabra e... pronto! Desaparecemos. [...]
Nesse momento só podemos cumprimentar, sorrir e desejar bom-dia para milhares de nossos contemporâneos: ‘Ei, você! Que coisa fantástica podermos compartilhar do mesmo tempo!’. [...] Estamos vivos, ouviu bem? Mas só por esta vez...” (O dia do Curinga – Oito de Ouros – Jostein Gaarder).

Um dia, o ultimo ser humano, a terra e até o sol morrerá! Mas isso poderá ser só um recomeço! O mesmo tempo que nos mastiga - poderá nos por de volta... Cada instante infinitamente se repetindo... Um eterno retorno de cada momento. Uma nova chance pra viver velhos/novos instantes - como os que se podem viver em um 08/08 às 08h08m08s...


“A vida vem em ondas - como um mar – num indo e vindo infinito” (Lulu Santos)