quarta-feira, 5 de agosto de 2015

#34 – OITO DE OUROS – 8, infinito finito...

No nosso calendário do Clã Curinga, este post fecha o mês das cartas “8”. No calendário vigente, este post abre a semana que terá o dia 8 no mês 8. Curioso é que justamente neste mês 8, me foi apresentada a série “sense8”. 8 pessoas nascidas em um mesmo dia 8/8 em várias partes do mundo, possuem uma incrível conexão entre si.

Frame do episódio 8 de sense8.

Já que tantas conexões com o numero 8 apareceram justamente na semana de oito de ouros, trago um pensamento que tive tempos atrás em um dia 8/8. Abro aspas pra palavras que saíram de alguém que fui, pois já não sou o que era, e não serei por muito tempo o que sou agora (até mesmo esta frase precisará de aspas amanhã).

“Não quero entrar no mérito simbológico da coisa.
Prefiro enxergar o oito como um infinito não acomodado
Ele está de pé agora, pois sabe que permanecera inerte no fim.
Fim?
A ideia de fim mata o infinito...
É aí que entra o oito.
Ele sabe-se infinito, mas está de pé.
É eterno em sua duração.
Entende todo o fim como um recomeço.
A oportunidade de que a novidade floresça”
(Trágica Mente Falando – 8/8/2012)

Devo admitir que o que sou hoje, a julgar pela ideia acima, não é tão diferente do que era. Me agrada muito esta imagem! O símbolo do infinito, em pé, traz a ideia de como cada instante pode ser infinito em sua fragilidade e efemeridade!
A vida se alimenta da morte! Novas flores só poderão surgir na primavera que se anuncia porque as da estação passada morreram. Nós só estamos aqui porque nossos ancestrais morreram! Nos alimentamos literalmente da morte! E não me venha um vegetariano dizer que está isento de cadáveres em sua dieta. Cabeças de repolho precisam rolar (e sem a possibilidade de protestas e gritos) pra encher o seu prato. A morte de cereais, verduras e outros mamíferos, aves ou peixes, garante a nossa sobrevivência. Garante a nossa marcha em direção ao nosso próprio fim.

“Na praia, uma criança constrói um castelo de areia. Por um momento, contempla admirada a sua obra. Depois destrói tudo e constrói um outro castelo. Da mesma forma, o tempo permite que o globo terrestre realize seus experimentos. [...] Na Terra a vida pulsa de forma desordenada, até que um belo dia somos modelados... com o mesmo e frágil material de nossos antepassados. O sopro do tempo nos perpassa, nos carrega e se incorpora a nós. Depois se desprende de nós e nos deixa cair. Somos arrebatados como num passe de mágica e depois novamente abandonados. Sempre há alguma coisa fermentando, à espera de tomar nosso lugar. Isso porque não temos um solo firme sob os nossos pés. Não temos sequer areia sob os pés. Nós somos areia.” (O dia do Curinga – Oito de Ouros – Jostein Gaarder).

Mas ainda vivemos! Eu e você - que agora lê com seus olhos vicejantes – piscando muitas vezes a cada parágrafo... Vivemos com as bênçãos da única e exclusiva fonte de energia de nosso planeta! Algo que está há 8 minutos-luz (ou 149.600.000 km) daqui. A ciência diz que átomos de hidrogênio são convertidos em Hélio no núcleo do sol e demoram 1 milhão de anos pra chegar até a superfície e, dali, chegar até o meu rosto de manhã em forma de luz e calor! Não fosse esta energia, você não estaria lendo estas palavras agora. Sem a energia do sol, nenhum ser vivo conhecido poderia habitar este "pálido ponto azul" que chamamos de Terra.
Tenho 8 motivos pra continuar escrevendo. Tenho 8 motivos pra parar. Faltam 8 minutos pra acabar o mês das cartas de 8. Mas ainda assim, algo a mais precisa ser dito (ou copiado) aqui:

“Não há um lugar onde possamos nos esconder para escapar do tempo. Podemos escapar de reis e imperadores, e talvez até de Deus. Mas não podemos escapar do tempo. O tempo nos enxerga em toda a parte, pois tudo à nossa volta está mergulhado nesse elemento infatigável [...] O tempo vai devorando tudo através da história, silenciosa e inexoravelmente, como o sol se levanta no Leste e se põe no Oeste. Ele destrói civilizações, corrói antigos monumentos e engole gerações atrás de gerações. Por isso é que falamos dos ‘dentes da engrenagem do tempo’: o tempo mastiga, mastiga... e somos nós que estamos no meio de seus dentes.
[...] Não é inacreditável, Hans-Thomas? Vivemos num planeta no universo. Mas logo seremos varridos do tabuleiro. Abracadabra e... pronto! Desaparecemos. [...]
Nesse momento só podemos cumprimentar, sorrir e desejar bom-dia para milhares de nossos contemporâneos: ‘Ei, você! Que coisa fantástica podermos compartilhar do mesmo tempo!’. [...] Estamos vivos, ouviu bem? Mas só por esta vez...” (O dia do Curinga – Oito de Ouros – Jostein Gaarder).

Um dia, o ultimo ser humano, a terra e até o sol morrerá! Mas isso poderá ser só um recomeço! O mesmo tempo que nos mastiga - poderá nos por de volta... Cada instante infinitamente se repetindo... Um eterno retorno de cada momento. Uma nova chance pra viver velhos/novos instantes - como os que se podem viver em um 08/08 às 08h08m08s...


“A vida vem em ondas - como um mar – num indo e vindo infinito” (Lulu Santos)

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