Mais uma vez escrevo da estrada. Se o destino é uma
serpente que engole a si mesma, minha tarefa é ludibriá-la para não virar presa
- perambulo pelo mundo e tenho comigo mesma um voto de não "partir desta
pra melhor" antes de compreender um pouquinho mais sobre ele.
Estou na terra do mais alto poder e autoridade do
país. Local em que as pessoas se guiam por setores e asas, como se a
compartimentação da vida fosse sinônimo de organização e, por consequência, de
qualidade - "setor de indústrias"; "setor de diversões" (produza
aqui, mas seja feliz apenas acolá).
"Meu deus, mas que cidade linda..."
(Legião Urbana)
A cidade de asas, contudo, não decolou. Afunda,
amiúde, com seus símbolos maiores de poder e autoridade - vaidade daqueles que
levam o país no cabresto da carência e da desinformação.
A ostentação das esplanadas é de uma beleza tão
impressionante que quase disfarça seu ponto fraco aos olhos narcisistas - as
paredes espelhadas refletem universos que não pertencem ao cenário.
O Parque da Cidade não tem árvores. O Estádio Nacional
não tem time. O Lago Paranoá não tem acesso. O museu só tem uma versão da
História.
"O sonho é...
[uma mentira repetida] popular... [até virar verdade]" (HG)
Seria destino ou coincidência essa viagem sob a égide
do naipe de ouros?
... Devaneios que tenho caminhando no percurso de meus
compromissos na capital federal...
"Vidas se repetindo na estação", como na
canção... Vidas que se cruzam por acaso ou por um motivo... A serpente
novamente se engolindo...
Penso agora na poesia que sopra o vento árido do
cerrado - rimas secas também são rimas, ventos que salvam de afogamentos.
Perambulo pelo mundo pois a minha única vaidade é rimar sempre em novos ares,
ainda que eles sejam rarefeitos nesta Terra de Gigantes.
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