É um novo dia, numa nova estação. É finalmente um naipe de valor. Sobrevivemos aos gumes da espada, às pauladas no dia-a-dia, ao ouro de tolo... Nos buscamos e nos encontramos num estranho devir entre sonho e realidade, como rito de passagem de quem precisou vencer pedras tantas até encontrar o caminho de volta pra casa... E descobrimos uma trilha repleta de flores à nossa frente, nos guiando até lá.
"O perfume que andava com o vento pelo ar
Primavera soprando prum caminho mais feliz"
(Primavera - Los Hermanos)
Não tenho a vã inocência de crer que meus fantasmas ficaram congelados na antiga estação. Blocos de gelo são pontas de iceberg. Tampouco soarei dramática ao ponto de carregá-los com peso insustentável daqui em diante... Basta-me a leveza que, aos poucos, surge e traz o ímpeto de dizer-me ao ouvido: "faça, fuce, force!"
"Os meus fantasmas
São incríveis
Fantásticos, extraordinários
Se fantasiam de Al Capone
Nas noites que tenho medo
De gangsters
Abusam de minha
Tendência mística
Sempre que possível
Os meus fantasmas tornaram
Minha solidão um vício
E minha solução
Um Status Quo
Ai! Meu Deus do Céu!"
(Raul Seixas)
Qual a teleologia desta história, que caminha para um fim? Para onde aponta a bússola do Clã Curinga? - As melhores perguntas são as de respostas reticentes.
... Com a leveza dos meus pés descalços,
embora carregando o mundo nas costas,
vou deixando meus rastros, que se apagam com o tempo...
posso, apenas, vir-a-ser...
Há momentos em que a inspiração nos tira do chão, seja num salto com riscos suicidas, mesmo que no campo das ideias, seja numa simples e profunda respiração que tenta colocar em dia os pensamentos. A Primavera perfuma as palavras de quem, como eu, já se encontrava absorto. Traz de volta rimas para permear as prosas estáticas e monólogas.
Já me chamaram Pierrot
quando, hoje, sou Arlequim -
no idealismo puro
foi Platão quem errou,
e quanto ao resto,
sei de mim.
Há momentos em que a inspiração simplesmente nos tira o chão. Como num mês que, ao mesmo tempo, inicia a Primavera, o naipe de Copas e nos brinda com um Eclipse de Super Lua.
... como o Girassol que
busca no Sol a cura,
e este, alimento pra alma
na Lua...
Há momentos... quantos momentos... em que a arte e a vida simplesmente nos bastam para sonhar.
Todo aquele gelo de que falei em ouros me
afastou ainda mais da convivência social! Tenho andado solitariamente por aí...
Muito por opção minha. Outro tanto não sei explicar. Às vezes dói.
“...Ando só
Nem sei porque
Não me pergunte
O que eu não sei"
(Humberto Gessinger)
Recebi, no entanto, preciosos trunfos
neste final de inverno - valete, dama e reis. Uma revelação de ouro agitou meu
coração! Existe beleza na solidão! Por isso, com o coração batendo forte agora,
mesmo escrevendo da capital mais fria do Brasil, sinto o gelo derreter. Acolho
e recebo a dor do descongelamento de braços abertos. Dor que muitas vezes faz
emergir nos olhos algumas lágrimas. Elas parecem revelar um intenso processo de
fusão dentro de mim.
Por que mergulhar na tristeza de algo que
se perdeu se posso celebrar infinitamente ter estado, ao menos por alguns instantes,
diante de pessoas, coisas e situações tão boas? Pecamos ao pensar que temos
posse e controle sobre pessoas. Pecamos ao crer em compromissos de papel e
palavras! Nada em nós garante sentimentos. Prometer sentimentos em rituais místicos
e pedaços de papel é uma das coisas mais estúpidas que inventaram! Sentimentos são
imprevisíveis. Se de minha parte posso deixar de ter disposição para com alguém,
por que se lamentar a ausência de alguém que agora se indispõe de mim? Talvez um
dos tesouros mais preciosos que podemos possuir seja a capacidade de tirar
proveito do sentimento de "saudades" e não se lamentar, quando temos oportunidade
de viver tal sentimento.
"Bateu uma
saudade de ti
Agora que eu sei
escrever
Agora que eu ando
sozinho
Voltei a lembrar de
você
Aí bateu uma saudade
de mim"
(Essa Nova - Tonho Costa)
Sinto saudades de Às de Copas! Esta carta
avulsa, solitária como o Curinga, mais do que os outros três azes, sente sua
condição de avulsa, afinal, possui um coração. Desde que iniciamos a celebração
de cada semana no Clã Curinga, venho pensando nas palavras pra esta semana tão
especial... Às de copas é a carta que mais me atrai nesta paciência da vida...
Talvez, como no trecho da música citada acima, a carta de um coração solitário
seja metáfora pra mim mesmo. Talvez, assim como Frode inventou e se apaixonou
pela própria criatura, eu, apaixonado por Às de Copas, esteja apaixonado por um
reflexo de mim mesmo no espelho. Estaria eu, o curinga, ocupando o lugar da
princesinha de copas como que por um sonho. Ou estarei eu vestida de rosa,
dormindo e sonhando andar por aí, vestido de bobo da corte, cheio de guizos?
Sinto que não conseguirei resolver a
trama. Jamais saberei se sou Às de Copas e Curinga a um só tempo ou se sou uma
das duas coisas sonhando ser a outra. Há a possibilidade de que existamos
separadamente, vivendo, ainda que na esfera dos sonhos, uma grande euforia em
estarmos perto um do outro...
“Nada é tão nosso
quanto nossos sonhos”
(Friedrich Nietzsche)
Amém!
Na semana que abrirá a temporada das flores
sob o naipe de copas, eu, filho primogênito de Vera, autentico filho da
primavera, deixo a narrativa de algo meu. Um sonho. Um encontro impossível que
se materializa na minha sintaxe abaixo:
Uma voz encantadora entoava um canto
triste. Embora a melodia imprimisse o peso de tudo o que se pode rotular por
“triste”, era um som muito atraente...
Tevere e Ponte.
...atração e peso...
Apenas ouvir de longe ou se aproximar e
correr o risco de ser esmagado? Uma decisão que dispensava reflexão. O próprio
coração guiava as pernas na direção daquele canto de sereia.
Ela me olhou (sem me ver) e continuou
cantando. Olhei-a nos olhos e todo aquele receio de ser esmagado converteu-se
em leveza....
...flutuava...
O coração acelerado, o suor frio e uma
deliciosa dor aguda na região abdominal atirou-me no solo da minha timidez.
“Achei-a tão linda que
fiquei sem saber pra onde olhar...”
(O Dia
do Curinga - Jostein Gaarder)
Um descompasso inevitável de movimentos
me deixou ainda mais desengonçado do que sou. O meu alvo parecia se divertir daquele
nervosismo todo.
– Breathing – disse ela sorrindo.
– O que? Disse eu sem entender.
– Respiração... É engraçado o jeito que
você está respirando! Parece melodia de um ritmo louco! Disse ela vindo agora
em meu encontro.
...breathing...
Ela se aproximava devagar – sedutoramente
devagar... Meus olhos, ao contrário de mim, se moviam rapidamente. Olhava sua
boca com desejo. Mas também olhava seus olhos em contemplação. Um par de olhos
fascinantes, que, naquele instante me pareciam verdes... Ela fixou seu olhar
nos meus olhos cor de chocolate. Derretiam com o calor que vinha daquela luz
intensa. Olhos nos olhos. Olhos na boca. Minha boca na mira de seus olhos...
boca na boca...
O mundo inteiro deixou de existir, ou, ao
menos, se resumiu inteiro naquele beijo, naquele momento... As ondas de
ofegantes respirações pareciam agora estar prestes a explodir de alegria e
prazer naquela manhã que começava. Virei-me e vi o sol dar a luz à primavera.
Se no dia anterior podia ainda existir no coração pontos endurecidos pelo gelo
que sobrou de um longo inverno, agora os corações batiam forte no peito.
Ardiam. Produziam o fogo que queimava todo o gelo...
"(...)
Teria olhos verdes? Era fascinado por olhos verdes, como se as pessoas de olhos
verdes nunca revelassem tudo, escondendo por trás daquela cor uma vida secreta,
profunda, como a dos gatos. " (Caio Fernando Abreu)
E o universo parece estar conspirando,
como se tudo fosse programado. Como se tudo seguisse a ordem que eu mesmo escolhi
aqui neste texto - como no filme “Vanilla Sky”. A linda Sofia é invenção minha,
ou ela existe em algum lugar? Ela existiu um dia e partiu, ou é a memória dela que
a torna tão real quanto o sol e a lua? Talvez tudo o que Às de Copas tenha a me
dizer, é o mesmo que disse Sofia no filme – que talvez um dia nos encontraremos "em
uma outra vida – quando formos gatos"!
Se a loucura se avizinhou de minha mente
por conta das intemperes invernais, o coração agora bate tão acelerado que o
calor produz uma fogueira! A euforia é enlouquecedora! Mas parece ser uma
loucura melhor que aquela do inverno!
Voltando de meus devaneios, notando a
fogueira se alastrar pelo corpo, afastei-me dela!
– Não posso me aproximar mais, disse afastando-me
dela!
– Vem! Tenho uma florzinha pra te
entregar nestes primeiros raios de luz da primavera!
– Mas estou em chamas! Destruiria a ti e
a florzinha em poucos segundos.
– Mesmo que dure apenas três segundos, eu
quero! Me abraça e toma o que é teu – toma o que guardei pra ti, meu amor –
ainda que dure apenas três segundos, eu quero...
Assim, a florzinha em minhas mãos e ela
própria, depois do mais incandescente encontro de corpos que se tem registro,
se desintegraram em pouco mais de três segundos...
Acordei sem saber se acordei mesmo ou se
dormi em chamas e agora sonho... Pouco importa! Se os sonhos são meus e nada me
pertence mais que eles, que a vida seja toda de sonhos – Sem a urgência de saber
o que de fato é real ou não.
“Descobrir o
verdadeiro sentido das coisas
É querer saber
demais...”
(Sonho de uma Flauta -
O Teatro Mágico)
Às de copas é a semana que abre a
contagem regressiva para o início da nova estação que, em seu último dia, trará a
primavera. Na próxima quarta-feira o sol trará a estação mãe deste Clã Curinga.
A estação que, antes de se despedir, no último ano, deu a luz a este lar
virtual. Como dizia um presságio em Reis de Ouros, o Clã está voltando pra
casa. Foram muitas lutas com espadas, trabalho intenso com pedras e paus,
recompensas em ouro que pagaram as passagens de retorno ao nosso mais precioso
bem - o coração.
Seja bem-vinda novamente a estação das
flores, do calor e do amor...
Saí do banco. Avisei a todos que estava a caminho. Essa viagem não seria nada demais - um feriado prolongado, com a família e os amigos. Churrasco, cerveja preta e, quem sabe, um chimarrão. Coisas que a alma pede, num suprassumo de simplicidade, mas a que o cérebro (tão cheio de suas razões) não atende no dia-a-dia.
Entrei no carro, arranquei... Um estalo. Em frações de segundo, um universo em câmera lenta se apresentou diante dos meus olhos, atônitos - contei cinco pingos de chuva caindo ao mesmo tempo no pára-brisas, destacando-se dentre os inúmeros outros que já escorriam... uma senhora de olhar cansado se espantou com minha súbita passagem e abriu a boca... um carro branco em minha frente ia ficando cada vez maior... e um prata em meu retrovisor também...
Puxei o freio de mão e vi o mundo num lapso de noventa graus. A chuva ficava cada vez mais bela, ao passo que eu filtrava (ou tentava) o som de suas gotas batendo contra a lataria do meu carro, em detrimento das buzinas e dos xingamentos ao meu redor.
Eu havia ficado sem freio e aquaplanado por uns cinquenta metros. A realidade, dita assim, racionalmente, é mais breve e mais dura que a forma poética narrada ali atrás. Mas escrevo para alimentar a minha própria memória - se houverem outros leitores, que cada um escolha a sua versão das "Aventuras de Pi". Aliás, é disto que se trata esse post e, penso eu, todas as leituras que fazemos - de uma questão de ponto de vista.
Não relatei nenhuma experiência de quase-morte, nem sofri nenhum arranhão neste quase-acidente. Tampouco minha intenção foi a de impressionar alguém com meu relato quase-trágico (trágico, aqui, no sentido estrito - numa das versões dos fatos - e no sentido, digamos, nietzschiano - na outra versão deles). Talvez tenha sido apenas um segundo perdido no tempo... uma reflexão fantasiosa sobre um momento que poderia ter passado como outro qualquer... A vida é uma questão de perspectiva.
["Foi Deus... Foi o destino... Era / não era pra ser"]
"O medo nos leva a tudo,
sobretudo à fantasia...
Viver assim é um absurdo,
como outro qualquer..."
(HG)
O dia-a-dia de muita gente deve ser muito mais impressionante do que algumas linhas num blog de prosa e poesia - questão outra de ponto de vista.
"Matar um leão por dia" pode ser o simples fato de se chegar vivo e inteiro em casa no fim da tarde, ou um período repleto de acontecimentos fantásticos (ainda que sentado num escritório) que começam e terminam abençoados por dois astros cintilantes no céu - é preciso ver o nascer do sol e admirar a lua por alguns segundos ao menos uma vez na vida (ou no dia, mas este é o meu ponto de vista).
Senti falta dos amigos e da família nos dias que se passaram... Mas a solidão também é de ouro, e abriu alas neste inverno incessante para um naipe que vem provar que o coração vale mais do que a cifra - claro, também no meu ponto de vista.
"Você sabe por que a maioria das pessoas vive nesse mundo sem admirar as coisas que vê?
- perguntou ele. Fiz que não com a cabeça - Porque elas se habituam com o mundo!"
Mais uma carta nas mãos. Mais uma
oportunidade de ser uma, de ser outras. Mais uma vez, mais um convite. Todos os
olhares hoje eu volto ao Clã que me acolheu. E aos Curingas que “como num
pavilhão de espelhos”eu os vejo multiplicados em “mim, em mil”. Dessa vez, os
Curingas deram-me a missão de ser a Dama de Ouros.
Mas, o que é ouro pra mim?
Essa frase não sai da minha cabeça....
A gente anda por tantos lugares, faz e
refaz “eternidades da semana”, encontra e aprecia tantos olhares e sorrisos,
fica difícil, às vezes, definir o que é ouro.
Andei tecendo cortina brilhante, cheia de detalhes – o presente e o
futuro encaixando-se em cada ponto da agulha. Cada linha da cortina me lembra o
Curinga, que perambula por aí. Ás vezes, cortinas tornam-se tão grandes que os
ventos não conseguem perambular pela casa. E a casa fica abafada e sem luz. O
coração é a casa da gente. O vento, a liberdade, o ouro – O Curinga perdido na
pequena escuridão.
Talvez o ouro hoje seja a liberdade, o
vento tocando o rosto, o espaço. O deixar-se livre. Ouvi certa vez que deve-se
deixar livre para ser livre. Criar asas. Perambular.
A Dama de Ouros olhou para o espelho e
viu que suas raízes estavam em seu coração. No fundo, sabia que o coração era a
sua verdadeira casa. Entretanto, de móveis, só restava agora uma cadeira. E a
casa, que um dia foi tão cheia, agora estava com espaço de sobra.
“(...)
tudo na madrugada insiste em ficar
Já
que existe tanto espaço em mim.”(Vitor Ramil)
Talvez o ouro esteja mesmo na solidão.
Aprendi que não há mais bela canção que o silencio. E não há mais bela
contemplação que um olhar. Ainda que apenas na memória. O ouro, nos últimos dias,
veio a mim através de lembranças dos olhares que, certa vez, me disseram “sim”,
“não”, “eu quero e preciso”, “eu te entendo”.
“
(...) tem certas coisas que eu não sei dizer...”(Lulu Santos)
Aprendi com meu pai a olhar nos olhos das
pessoas. Ele certamente era um Curinga. Como um Curinga pode dar vida à Dama?
Não se sabe. Também não se sabe por que aprendi essa lição. Na verdade, o Seu
Antonio sempre soube a verdade escondida nos olhos, nos meus olhos. Ledo engano
pensar que é um legado vil. É preciso ver.
Em sua breve (e linda!) passagem por esse
planetinha, ele me mostrou que não há espaço para singularidades. São muitos
amores, muitas dores, muitos olhares, muito ouro. É necessário ser plural.
Repartir acúmulos, sorrisos, olhares. No início da reflexão, me coloquei no Clã
como quem vem “vestida de ouro e poeira.” O ouro vem hoje do olhar. Pra mim,
vale mais que toda riqueza acumulada, que todo título pregado em paredes como
troféu, que todo dinheiro e posses de indivíduos que não sabem o valor da simplicidade.
A poeira vem do “ser plural”. Vem do lapidar o ouro bruto que há em mim, do
ouro que havia em mim. Vem da dança da Dama de Ouros no campo minado, à procura
de seu Curinga. Vem dos móveis que arrastei dentro de casa à procura de espaço.
Vem do velho caderno de memórias, um achado no meio de tantos filósofos e
historiadores que habitavam caixas e mais caixas de muitas histórias. Pude
reencontrar as tardes de cafés, rodas de violão, palavras e olhares. Hoje, tudo
isso tornou-se ouro pra mim. De forma diferente. Com olhos diferentes.
“Reescrevi
as memórias, deixei o cabelo crescer e te dedico uma linda história
confessa...”(Tiê)
A Dama se despede com olhares de ouros.
Saúda, mais uma vez, a casa, o Clã que lhe acolheu. Agradece ainda mais aos
Curingas que fizeram dela um tanto do que hoje ela é. Na nova cortina que tece,
a agulha é de prata. Entretanto, os fios são de ouros, são os Curingas que
olham a poeira da vida. Que fitam a dança da Dama no silencio, no espaço. É a
nova decoração para a casa do coração da Dama.
Reza a lenda que todas as manhãs a Dama
se senta na cadeira em frente à janela. Quando o sol bate, dá pra ver os
olhares dos Curingas. A Dama não sabe o que eles dizem através dos olhos. Mas,
pra ela não importa. O enigma é o que importa. É o mistério que a faz voltar
todas as manhãs só pra ser observada. No leste tudo nasce. No olhar ela
encontra o seu tudo. Isso é ouro pra ela.
“Frode olhou para mim (...). Seus olhos ainda
brilhavam como pedras preciosas. Ao constatar isso, não pude deixar de pensar
em algo que já tinha ouvido muitas vezes na minha vida: os olhos são o espelho
da alma (...). - Dá para vocês verem a profundidade desse jogo do Curinga?” (O dia do Curinga – Dama de
Ouros – Jostein Gaarder).