quarta-feira, 23 de setembro de 2015

#41 - Dois de Copas - Olhando para o céu...

É um novo dia, numa nova estação. É finalmente um naipe de valor. Sobrevivemos aos gumes da espada, às pauladas no dia-a-dia, ao ouro de tolo... Nos buscamos e nos encontramos num estranho devir entre sonho e realidade, como rito de passagem de quem precisou vencer pedras tantas até encontrar o caminho de volta pra casa... E descobrimos uma trilha repleta de flores à nossa frente, nos guiando até lá.

"O perfume que andava com o vento pelo ar
Primavera soprando prum caminho mais feliz"
(Primavera - Los Hermanos)

Não tenho a vã inocência de crer que meus fantasmas ficaram congelados na antiga estação. Blocos de gelo são pontas de iceberg. Tampouco soarei dramática ao ponto de carregá-los com peso insustentável daqui em diante... Basta-me a leveza que, aos poucos, surge e traz o ímpeto de dizer-me ao ouvido: "faça, fuce, force!"

"Os meus fantasmas
São incríveis
Fantásticos, extraordinários
Se fantasiam de Al Capone
Nas noites que tenho medo
De gangsters
Abusam de minha
Tendência mística
Sempre que possível
Os meus fantasmas tornaram
Minha solidão um vício
E minha solução
Um Status Quo
Ai! Meu Deus do Céu!"
(Raul Seixas)

Qual a teleologia desta história, que caminha para um fim? Para onde aponta a bússola do Clã Curinga? - As melhores perguntas são as de respostas reticentes.

... Com a leveza dos meus pés descalços,
embora carregando o mundo nas costas,
vou deixando meus rastros, que se apagam com o tempo...
posso, apenas, vir-a-ser...

Há momentos em que a inspiração nos tira do chão, seja num salto com riscos suicidas, mesmo que no campo das ideias, seja numa simples e profunda respiração que tenta colocar em dia os pensamentos. A Primavera perfuma as palavras de quem, como eu, já se encontrava absorto. Traz de volta rimas para permear as prosas estáticas e monólogas. 

Já me chamaram Pierrot
quando, hoje, sou Arlequim -
no idealismo puro
foi Platão quem errou,
e quanto ao resto,
sei de mim.

Há momentos em que a inspiração simplesmente nos tira o chão. Como num mês que, ao mesmo tempo, inicia a Primavera, o naipe de Copas e nos brinda com um Eclipse de Super Lua.

... como o Girassol que
busca no Sol a cura,
e este, alimento pra alma
na Lua...


Há momentos... quantos momentos... em que a arte e a vida simplesmente nos bastam para sonhar. 

Hoje serei breve... hoje o céu está tão lindo...

"A lição já sabemos de cor
Só nos resta aprender..." 
(Beto Guedes)

2 comentários:

  1. Ah, que deleite para a alma voltar ao naipe do coração assim, ouvindo e dançando na melodia das entrelinhas de sua mais nova poetiprosa... É como sentir o cheiro de feijão cozido pela mãe e, ver as coisas organizadas de maneira parecida de como era quando se morava com ela... Sim, degustar o prato de dois de copas é como sentar à mesa do almoço e comer do alimento que nos fez crescer... Nosso lar digital tem cheiro da casa que, mesmo quando ficamos distantes, segue sendo nossa também...
    Que venha o esperado dia do eclipse!!!

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  2. "...até encontrar o caminha de volta pra casa..."
    É, o percurso foi longo até aqui. Ora doloroso, ora leve, perdidos e achados que nos tiraram o chão, que nos colocaram diante da bússola cheios de perguntas sem respostas, reticentes. Mas, o lado bom da vida é que quem vai nunca volta o mesmo.
    Há momentos, muitos momentos. Os meus são os mais extraordinários nesse Clã, nessa casa que acolheu toda minha loucura e lucidez. Como foi bom esperar a primavera com vocês!
    Continuamos a jornada! Com a bagagem de quem riu e chorou, de quem sonhou e sonha, de quem espera e acredita em Curingas, gatos, Super Luas, Supernovas e Alices!
    Que a primavera nos traga o perfume do caminho de flores de volta pra casa! Não somos os mesmos. Graças às cartas!
    Belo texto, Curingas! Hoje o céu está tão lindo....

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