quarta-feira, 18 de março de 2015

#14 - ÁS DE PAUS - As mesmas sensações que a gente tem nas estações do calendário

Escrevo deitado na rede e observando ruínas que existem em um bairro simples de uma jovem cidade: Um centro comunitário destelhado, pedras que restaram da demolição de um posto de saúde e uma quadra de esportes abandonada.

“nos interessa o que não foi impresso, 
mas continua sendo escrito a mão...”
(Engenheiros do Hawaii)

Caneta em minha mão esquerda, ponta da caneta no papel, movimentos curtos e rápidos que desenham as palavras que você está agora lendo. Antes que me acusem de mentiroso, devo esclarecer que escrevo no papel já pensando em copiar o que escrevi em um editor digital de texto, a fim de publicar no “Clã Curinga”. Pra que então fazer dois trabalhos? Sei lá... As cartas de paus são inclinadas ao trabalho manual. Talvez tenha me inspirado nelas...
Toda semana de Ás é semana de transição, semana de mudar de estação. Assim foi com Ás de espadas, que inaugurou o “Clã Curinga” nos últimos suspiros da primavera - semana que abriu o verão. Assim será com Ás de ouros, na semana que abrirá o inverno e Ás de copas, aquecendo o meu coração e trazendo a temporada das flores...
Pausa nas anotações. A quadra abandonada ainda pode receber meus filhos que ganharam bicicletas e antes do fim do verão aprenderam ali a pedalar...

Além de serem únicos, como todos nós, são ainda mais raros! Cientistas de Curitiba pesquisam e ajudam estes pequenos curingas a jogar a paciência da vida da melhor maneira possível. Os dois entraram no grande jogo em um mesmo dia, o último de março, em outonos diferentes...

De volta a rede, a paisagem é outra: Anoiteceu...
Agora as ruínas que via no fim-de-tarde só aparecem quando o céu se ilumina em raios e relâmpagos seguidos de trovão.
Chove...

“Que a noite caia como uma luva
um diluvio, um delírio.
Que a noite traga alívio imediato.
Que a chuva caia, de repente caia
tão demente quanto um raio
que a chuva traga alívio imediato...”
(Engenheiros do Hawaii)

Depois de uma manhã fresca e uma transição que levou ao calor da tarde, agora a brisa faz a transição do quente ao fresco novamente. Gotículas da chuva que cai se desviam do telhado que me protege e tocam a minha pele... Em um único dia deu pra sintetizar as mesmas sensações que a gente tem nas estações do calendário...
Bom voltar ao papel hoje... Claro que sou um usuário constante dos blocos de notas de aparelhos digitais móveis. Mas colocar ideias no papel com uma caneta tem lá o seu charme e proveito. Vou ser mais analógico sob a estação de Paus! Escreverei tudo a mão e depois passo a limpo (se bem que também será “a mão” - no teclado). Embora eu goste do verão e tenha uma predileção ao calor, todo marujo sabe que as cartas de Espadas trazem má sorte! Que o outono de paus traga alívio imediato pros desconfortáveis dias deste verão árido e penoso! Mas que este alívio não me inebrie a ponto de perder a visão, afinal, embora a pele sofra mais nos dias de frio que se anunciam, os olhos se deleitam em uma época em que o céu e os contornos do mundo se tornam mais nítidos.
Semana de transição... Estação de transição... Estação rodoviária... Na primeira transição de domingo pra segunda do outono embarco com meu pequeno curinga para a capital do estado... Na primeira semana de paus, a "ponte wireless" Londrina-Curitiba terá também uma "ponte rodoviária"... Alô Curinga da capital - te vejo na primeira segunda-feira de paus!
Até lá, sigo sentindo com olhos, ouvidos, pele, nariz, boca e coração, as águas de março que fecham o verão!
É Paus... É pedra... Mas ainda não é o fim do caminho...




Trunfo1: Se eu escrevesse no computador, falaria dos símbolos que carregamos, nossas ideologias e visões de mundo, que fomentam ódio e discursos apressados. A base seria o encontro com as cartas de paus em que, encontrar alguém que fale o mesmo idioma, não é garantia de fácil comunicação... Nestes casos, os naipes e a quantidade de analgésicos (ideológicos ou orais) que se usa dão o tom do diálogo...
Trunfo2: Pensei em escrever/reproduzir aqui um trecho de comercial de TV: “Vai Verão, vai Verão...” Não, né? Que bom que desisti... hahaha
Trunfo3: Idiotas que rimam assinatura com dentadura e outras bobagens, não é privilégio de nossa época. As mudanças de estações no decorrer do ano também não. Que bom que escolhi a segunda opção pra hoje... Bem melhor começar paus assim!

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