quarta-feira, 8 de abril de 2015

#17 - QUATRO DE PAUS - Nossas loterias gigantes (?)

Há cerca de 12 anos atrás, eu me encontrava na fila de um banco com um formulário em mãos e um boleto. Era a minha inscrição para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina. O campo de escolha do curso ao qual eu pretendia concorrer ainda estava em branco, e eu aguardava uma "luz divina" que me fizesse escolher entre Direito, Jornalismo e História. No último momento, decidi pelo curso de História. Um lance de dados... uma jogada de sorte?

"Então Einstein estava errado quando disse que 'Deus não joga dados'. Considerando o que os buracos negros sugerem, Deus não só joga dados, Ele às vezes nos confunde jogando-os onde ninguém os pode ver"
(Stephen Hawking)

Não saberia dizer o motivo exato pelo qual tive o impulso de escolher esta graduação. Talvez tenha sido uma confluência deles... meu pai havia cursado História até o segundo ano. Eu teria aula com os mesmos professores que ele, talvez vivenciasse momentos parecidos com os que ele tinha vivido e sobre os quais me contava com profundo orgulho e saudosismo.

Um dos trabalhos mais incríveis que eu tinha feito no ensino médio havia sido de História. Traçando uma linha do tempo, elenquei os momentos mais marcantes da minha vida, ilustrados com imagens e legendas, e enumerei um paralelo de eventos que considerava "relevantes" no resto do mundo naquelas datas. Foi o trabalho que me fez perceber que a História só tem importância real quando nos vemos como sujeitos dela. 

Tantas outras pessoas optaram pelo curso de História, naquele momento, assim como eu. Nossa primeira loteria foi ter ficado dentro das quarenta vagas ofertadas para a opção noturna. Os demais, para mim, não existiram.

Desses quarenta, quatro, 10% exatamente, se tornaram como uma família para mim. Uma série de acontecimentos confluiu para que, durante os quatro anos de graduação, nos aproximássemos e, até depois deste intervalo de tempo, mantivéssemos laços indissolúveis.

Numa perspectiva histórica, quantos acontecimentos teriam confluído para que esse encontro acontecesse? Citei alguns que, numa visão macro, nem chegam perto do fato de que todos os nossos ancestrais tiveram de vencer a morte em tempos de guerra e inanição, e ainda de reproduzirem-se diante de todas essas dificuldades, para que ao menos pudéssemos desfrutar de nossa existência. Mais uma grande loteria...

Às vésperas do vestibular - hoje me pergunto - o que teria levado essas pessoas a escolherem o mesmo curso que eu? Por que esses quatro indivíduos, dentre os quarenta, se tornaram as pessoas mais importantes pra mim naquele universo acadêmico? 

A resposta a esta última pergunta, sem dúvida, não é uma questão de loteria... As pessoas se tornam importantes em nossas vidas devido às experiências que compartilhamos, às Histórias que vivemos. Histórias com letra maiúscula, pois desde 2004, nos tornamos sujeitos delas - de nada valeria o Dragão de São Marcelo, nem o Devir de Heráclito, não fosse a visão do querido "FMDO" reunido.

Sim... o Naipe da vez é o de Paus, mas essas amizades são de Ouro. A ponte Curitiba-Londrina me proporcionou novo encontro com essas pessoas, 11 anos depois de nos conhecermos, 12 anos depois daquela fila para a inscrição no vestibular. Um membro estava faltando, outro ria, mas não parecia feliz. Eu não estava conformada...

Pouco importa que novas circunstâncias tendam a afastar esses curingas - mesmo diante delas, eu viveria tudo novamente. 




E se, falando em loteria, lembramos de apostas, aposto que a Roda da História não falhará conosco neste devir que nos trouxe até aqui. Até 2017!


3 comentários:

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  3. Toda vez que leio esse blog me sinto em queda livre. Os textos sempre me transportam pra um lugar que eu gostaria de estar. Porém, devo confessar que os últimos textos tem me emocionado de uma forma surreal. E esse me fez ficar com lágrimas nos olhos.
    Lembro do momento que comecei a conhecer cada um de vcs. E vivo, diariamente, frases, fatos, atos, momentos que vivemos juntos, como se o tempo não tivesse passado, como se, ao alcançarmos a Dobra Espacial, tudo tivesse congelado e cada fração de segundo permanecesse aqui em forma de vozes, olhares, gestos e abraços.
    A loteria da vida me trouxe até aqui pra dizer que uma vida inteira seria pouco pra traduzir tudo o que vcs representam pra mim. Encontro cósmico, reencontro de outras vidas.
    Tudo que vivemos me ajudou a ser quem eu sou hoje.
    Sinto falta do "sempre que é todo dia". Mas, o que mais me faz falta é o olhar. É chegar na UEL, olhar nos olhos de vcs, nem que seja pra saber que as coisas não vão bem em casa, o trampo tá foda, a distância tá matando ou tá foda conseguir grana pro bebê que vai chegar...ou simplesmente(e com alegria em meu coração) enxergar um "tô bem, e Vc? "
    Não suportaria perder (mais uma vez pra alguns) esse tanto de tudo que vcs representam pra mim. E faço preces todos os dias pra que a vida seja leve, pra que as coisas aconteçam e pra que vcs fiquem por perto, ainda que longe fisicamente.
    Viadage a parte (e dessas coisas eu entendo), gosto quando o Renato canta "o que tens é só teu..." porque o que eu sinto por cada um de vcs é só meu. E eu vou levar pro resto da vida.

    Obs: desculpem tantos comentários removidos. Andréa e internet as vezes tem uma instável relação de amor e ódio....

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