Tchau, radar...
As palavras que encerraram o texto da
semana passada reverberaram por toda a semana de quatro de copas e, hoje, ouvem-se
ainda seus ecos em cinco de copas...
Não é apenas o equipamento usado por
militares pra detectar objetos a longas distancias. Radar pode ser uma bela
metáfora pra tudo que tenta nos controlar, observar e ditar o ritmo de nossos
movimentos. Nossa vida é repleta de radares. Esperam sempre que nos comportemos
“como convém” com a família, amigos, no trabalho, naquilo que se acredita que é
explicação para a vida e o mundo...
Se calcularmos tudo na ponta do lápis, há
muito mais voos rastreados que voos livres na nossa vida curta. Estamos sempre
atrelados a inúmeros valores alheios a nós. A sombra de opiniões dos outros
sobre nossas escolhas...
Nos falta muito a capacidade de agir pela vontade! Mas a palavra "vontade" pode ser perigosa, afinal, nem todos sabem querer. Há quem queira muito um objeto e, para tê-lo, rouba. Não é disso que falo. Querer é algo muito mais complexo, que exige cálculo, que exige conhecimento ou intuição do caminho e certo planejamento. Não basta subverter as regras. "Disciplina é liberdade." (Legião Urbana). Pra conseguir algo, é preciso saber jogar com as regras. Caso contrário, seremos meros curingas descartados do baralho – ainda mais inúteis que as cartas que vivem na cegueira de seus rebanhos, famílias, naipes...
Nos falta muito a capacidade de agir pela vontade! Mas a palavra "vontade" pode ser perigosa, afinal, nem todos sabem querer. Há quem queira muito um objeto e, para tê-lo, rouba. Não é disso que falo. Querer é algo muito mais complexo, que exige cálculo, que exige conhecimento ou intuição do caminho e certo planejamento. Não basta subverter as regras. "Disciplina é liberdade." (Legião Urbana). Pra conseguir algo, é preciso saber jogar com as regras. Caso contrário, seremos meros curingas descartados do baralho – ainda mais inúteis que as cartas que vivem na cegueira de seus rebanhos, famílias, naipes...
“...E eu pude fazer o que queria, sem ser
perturbado. Li sem parar, até que, já de madrugada, adormeci...” (O dia do
Curinga – Cinco de Copas – Jostein Gaarder)
Quantas vezes curingas de todo o mundo
abriram mão de uma boa leitura para parecer gentil, ou pra cumprir convenções
sociais? A todos os curingas do mundo, desejo que possam ouvir e sentir o
silêncio do inevitável, o vácuo ensurdecedor da não existência, que nos faz
querer aproveitar ao máximo o que ainda há enquanto respiramos. E que o nossos
devaneios aqui no clã, sejam destes sopros de alegria, afinal, é na infinidade
de silêncios que havia antes de nós e na infinidade que virá depois - que
valorizamos o som que é possível hoje!!!
Louco é quem segue o fluxo, quem procura
em guias, mestres, gurus algo a ser copiado... O louco, ao imitar seu mestre,
ofende ao mesmo. O mestre deve ser superado! A grande cidade que prende pessoas
como gado e todos os loucos que nos roubam o encanto diante da vida, não
merecem nem nosso ódio. É preciso passar além deles. A vida só pode ser
grandiosa para além dos radares.
“...tuas palavras de louco prejudicam a
mim mesmo quando estás certo! E, ainda que as palavras de Zaratustra fossem mil
vezes certas: tu, com minhas palavras, sempre — farias errado!
Assim falou Zaratustra; e ele olhou para
a grande cidade, suspirou e longamente ficou em silêncio. Por fim, falou assim:
Também me enjoa essa grande cidade, não
apenas esse louco. Num e noutro não há o que melhorar, não há o que piorar.
Ai dessa grande cidade! — E eu gostaria
de já enxergar a coluna de fogo em que ela arderá! Pois tais colunas de fogo
devem preceder o grande meio-dia. Mas esse tem seu tempo e seu destino. — E
este ensinamento te dou, ó louco, como despedida: onde não se pode mais amar,
deve-se — passar ao largo! — Assim falou Zaratustra, passando ao largo do louco
e da grande cidade.”
(Assim Falou Zaratustra - Do Passar Além - Friedrich
Nietzsche)
“(...)
Não fica pronto nunca
Não há final feliz
Não há razão pra desespero
Ouça o que o silêncio diz
Não tem roteiro certo
Não espere um "gran finale"
Tão pouco espere amiga
Que o meu grito se cale
(...)
Tchau radar,
vamos adiante.”
"...acima de qualquer radar eu vou. .."
ResponderExcluirJá disse em outro canal de comunicação e repito: seu texto me deu um empurrão. ..me mostrou que mãos não se prendem, dedos não cabem coleiras, vidas não são iguais, silêncios são necessários. Entretanto, esse mesmo texto me "rega a alma, roga a calma em minha travessia. .."
Que sejamos livres de senso comum, laços que apertem, mãos que sufocam.
Que a gente se perca no vazio do silêncio. Que as perguntas feitas a nós não passem de "prefere café com açúcar? O que quer fazer no próximo por do sol?"
Que possamos dançar apenas com as pessoas que não tem medo da vida.
Parabéns pelo texto!
Acho que este espelho, de certa forma, reflete todos nós...
ResponderExcluirTalvez os radares nos "quartéis" sejam realmente os menos nocivos, já que, ali, existem sem auto-censura e cumprem um papel pré-determinado... Dureza são os milhares de radares que se auto-negam. Pior ainda, muitas vezes vem fardados com os brasões da "liberdade"!